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Imprensa boliviana alerta para o futuro incerto do país

Apesar de bem recebido pela população, o decreto de Evo Morales para a nacionalização dos hidrocarbonetos na Bolívia foi questionado pela a imprensa do país. O editorial do jornal El Deber alerta que apesar da festa popular existe a "incerteza do setor privado, a preocupação de outros governos e a desconfiança dos investidores que exploram os recursos hidrocarboríferos". Para o jornal Los Tiempos, o impacto maior é o "golpe de imagem que representou o inesperado lançamento do decreto 28701, quando a estabilidade política do governo começava a ser ameaçada". A primeira leitura do decreto "é bastante previsível". "A partir de agora", diz o texto, "as principais empresas petrolíferas que operam na Bolívia devem escolher três caminhos a seguir: retirar-se do país, procurar respaldo legal internacional para que o contrato seja cumprido, ou aceitar as novas condições impostas pelo governo de Morales". O El Diário também acredita que os investimentos estrangeiros serão os mais atingidos e existe a preocupação da segurança jurídica. "Poderá acontecer um efeito dominó com outras empresas que operam no país, provocando uma venda de ações bastante provável."Apesar do tom de preocupação com o futuro, o El Mundo classificou a medida como "agridoce". Por um lado, "os nove milhões de bolivianos devem festejar o retorno do controle dos recursos naturais, recuperando a dignidade e a soberania da pátria". Mas por outro, o jornal aponta a incerteza para a economia da Bolívia. O texto também afirma que "a atitude do Estado não deixa de ser uma medida ideológica e nacionalista inquestionável, mas cada boliviano deve dar o seu respaldo, o que não significa dar apoio ideológico ao governo."Imprensa latinaA grande maioria dos jornais da América Latina apenas deu destaque à notícia. Os fóruns de opinião citam o caso de forma discreta e os editorial dos jornais da Argentina, Chile, Colômbia e Uruguai não falam do assunto.A edição on-line do principal jornal da Espanha, El País, deu destaque por causa das empresas espanholas que serão prejudicadas pela decisão de Morales. O editorial do periódico alerta que o decreto "põe em jogo a credibilidade das garantias jurídicas da Bolívia" e questiona as parcerias políticas do presidente: "Evo Morales, que preside um país democrático, se une a um dos dirigentes reeleito nas urnas como (Hugo) Chávez, mas adepto à força autoritária; e a um velho ditador (Fidel Castro, de Cuba), o mais antigo de todos, que não tem mais nada a dizer ao mundo. Não são as melhores companhias para Morales".

Agencia Estado,

02 de maio de 2006 | 11h36

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