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Imprevisibilidade marca resultado dos bancos

O resultado final dos bancos ganhou um caráter de imprevisibilidade, devido às estratégias conservadoras adotadas pelas instituições nos últimos trimestres. Os bancos passaram a utilizar critérios variados de realização de provisões, que diminuem os lucros. Com isso, mercado e acionistas não sabem o que esperar dos números.O presidente da consultoria Austin Asis, Erivelto Rodrigues, disse que os bancos vêm mostrando os resultados que desejam, dependendo do tamanho da provisão. "Ninguém mais quer fazer projeções." No acumulado dos nove primeiros meses do ano, as provisões fizeram o lucro do Bradesco (R$ 1,324 bilhão) e do Itaú (R$ 1,687 bilhão) caírem 15,1% e 21,7%, respectivamente, em relação ao mesmo período de 2001. O resultado do Unibanco, de R$ 744 milhões at é setembro, subiu apenas 1,8% na comparação.O economista João Augusto Salles, da consultoria Lopes Filho, já esperava muitas provisões no terceiro trimestre, por causa da instabilidade dos mercados, mas disse que o volume final acabou surpreendendo-o. "Da mesma forma que os bancos tiveram ganhos com a desvalorização do real, terão perda quando a moeda se apreciar e, por isso, estão se protegendo." Mesmo assim, ele considerou algumas reservas exageradas.As provisões destinam-se, principalmente, à carteira de crédito, ao portfólio de títulos públicos e ao impacto do câmbio no patrimônio no exterior. Grande parte da proteção foi acima do mínimo exigido pelas regras do Banco Central.O Bradesco foi o que fez a maior provisão para o câmbio. O banco "travou" o dólar a R$ 2,88 e provisionou quase todo o ganho cambial dos nove primeiros meses do ano. Dos R$ 959 milhões ganhos, contabilizou no balanço apenas R$ 10 milhões. "O nível atual do câmbio é irreal e o dólar deve recuar para R$ 2,90 até dezembro", justificou, em teleconferência, o presidente do banco, Márcio Cypriano.Para Salles, o câmbio esperado pelo Bradesco é "muito baixo", mesmo considerando as estimativas mais otimistas do mercado. Ele disse que o Itaú foi mais realista, ao fazer provisões considerando o dólar a R$ 3,50. No entanto, o Itaú constituiu uma provisão adicional de R$ 661 milhões para títulos, além de ter provisões para a participação na AOL Latin America e para a compra do Sudameris, da qual acabou desistindo.As instituições financeiras também elevaram bastante as provisões para os créditos de liquidação duvidosa, apesar de a inadimplência estar sob controle. De acordo com o presidente da Austin Asis, os créditos vencidos há mais de 60 dias correspondem a cerca de 2,5% da carteira dos bancos, nível que vem sendo mantido há três trimestres. "As instituições estão guardando resultado para 2003, quando poderão reverter provisão diante de um eventual problema."Com os lucros menores, também tem redução a base de cálculo para a distribuição de dividendos. Segundo Salles, no entanto, os bancos têm um argumento forte, pois afirmam estar defendendo o interesse dos acionistas. As instituições negam que estejam mostrando resultado menor por medo das medidas do novo governo, como acreditam alguns especialistas.

Agencia Estado,

20 de novembro de 2002 | 09h22

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