Inadimplência alta impõe limitações ao consumo

O comércio varejista tem motivos para se preocupar com o aumento da inadimplência dos consumidores, revelado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL).

O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2014 | 02h05

Há indícios de que os devedores estão preferindo pagar os compromissos bancários, enquanto crescem os atrasos em outras modalidades de dívida. Como os consumidores estão mais endividados, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), torna-se mais provável o adiamento das compras não essenciais, o que se reflete negativamente sobre as atividades do varejo.

Um conjunto de dados sobre consumo, endividamento e inadimplência divulgado nos últimos dias ajuda a entender o ritmo fraco dessas atividades observado nos últimos meses.

O SPC estimou em 55 milhões, no mês passado, o número de consumidores com dívidas em atraso, 5,09% acima do número registrado em agosto de 2013. O aumento da inadimplência ocorreu justamente nas faixas etárias mais elevadas: 6,49% entre as pessoas de 50 a 64 anos; 8,31% entre 65 e 84 anos; e 12,12% entre 85 e 94 anos. Ou seja, os mais idosos, em geral já aposentados, se endividam, mesmo com o risco de inadimplência, para socorrer os mais jovens.

O SPC notou também a deterioração da capacidade de pagamento dos consumidores, pois cresceram mais os atrasos entre 181 e 360 dias.

A Pesquisa Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da CNC, mostrou que, entre agosto de 2013 e agosto de 2014, passou de 63% para 63,6% o porcentual de famílias com dívidas, principalmente no cartão de crédito (75,8%), carnês (17%) e financiamento do carro (13,4%). O maior crescimento foi registrado nos financiamentos imobiliários, mas a inadimplência ainda é baixa, de 1,8%. O Banco Central calcula que mais de 1/3 das dívidas das famílias já se deve à compra da casa própria.

Dados da Serasa Experian revelam diminuição do valor médio das dívidas em atraso com bancos, de R$ 1.346,05, entre janeiro e agosto de 2013, para R$ 1.265,15, em igual período de 2014, enquanto aumentou o valor de cheques sem fundos, títulos protestados e dívidas não bancárias, inclusive serviços públicos.

Com a piora de sua situação, decorrente da deterioração do quadro econômico geral, o consumidor passou a considerar prioritário o pagamento das dívidas com bancos, deixando as compras no varejo em segundo plano.

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