Inadimplência aumenta 26,21% no semestre

Levantamento divulgado nesta quinta-feira pelo Serviço de Proteção ao Crédito Brasil (SPC Brasil) mostrou que a inadimplência no País aumentou no primeiro semestre de 2006 ante o mesmo período de 2005. Segundo a pesquisa, no período, houve crescimento de 26,21% das inclusões de registros no banco de dados da companhia de análise de crédito.Na avaliação do SPC Brasil, este movimento foi impulsionado pelas políticas brasileiras de expansão de abertura de contas bancárias e do crédito consignado. Em junho, conforme estudo divulgado pela companhia no dia 10 de julho, os dados já apontavam esta tendência de alta, com um crescimento de 13,79% nas inclusões de registros de inadimplência sobre junho de 2005. As situações mais críticas do semestre foram verificadas em fevereiro e março, quando houve incrementos de 59,56% e 41,97% nas inclusões, respectivamente, em relação aos mesmos meses do ano passado.De acordo com o SPC Brasil, o movimento de alta deverá prosseguir nos próximos meses e a tendência será "agravada pela possibilidade de adiantamento do 13º salário, já oferecida pelos bancos aos seus clientes". "A inadimplência não deverá diminuir no segundo semestre. Há expansão da base de consumidores com talões de cheques nas mãos comprando a prazo, sem experiência nesse processo", disse o presidente da companhia, Araken de Carvalho Novaes. "O crédito consignado vem desorganizando a vida financeira de muita gente e os adiantamentos de salário, dependendo da classe de consumo, são perigosos, levam as pessoas a fazerem despesas não essenciais e a se endividarem", observou Novaes.Além do levantamento sobre inadimplência, o SPC Brasil informou hoje que o volume de consultas para análise de crédito no varejo também cresceu no primeiro semestre, o que indica aumento nas vendas. Na comparação com os primeiros seis meses de 2005, a pesquisa constatou alta de 6,65% neste tipo de solicitação.No cheque, calote recua em junhoO índice de cheques sem fundo registrou queda de 8,68% em junho ante maio, passando de 2,88% para 2,63% no mês passado, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira pela Telecheque. Na avaliação da empresa, o porcentual é considerado "muito positivo" para o período, pois o mês de junho normalmente ainda sofre reflexos das vendas do dia das mães, a segunda melhor data do ano para o varejo.A queda foi relacionada pela Telecheque ao aumento real do salário mínimo em 16,7%, que afetou a renda dos trabalhadores e aposentados, assim como a alta do emprego. A empresa espera que a tendência de queda da inadimplência seja confirmada no segundo semestre.Na comparação com junho de 2005, quando foi registrado índice de 2,30% de cheque sem fundos, no entanto, houve alta de 14,35% do indicador. Para a Telecheque, será preciso "aguardar um bom período para a acomodação da grande bolha de crédito gerada nos últimos anos, para voltarmos a ter patamares semelhantes ao da inadimplência que antecedeu este período".Os três menores índices de cheques sem fundos no mês de junho foram registrados em Goiás (1,63%), Santa Catarina (1,72%) e Sergipe (1,88%). Já os campeões de inadimplência foram Rio Grande do Norte (4,31%), Amazonas (4,25%) e Pernambuco (3,85%).

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