Inadimplência aumenta, mas confiança do consumidor sobe no Rio

Pesquisa realizada pelo Instituto Fecomércio do Rio de Janeiro mostrou que, na região metropolitana da cidade, apesar do total de famílias com parcelas de financiamento em atraso ter subido em fevereiro, o Índice de Expectativa do Consumidor (IEC) foi o melhor da série histórica da entidade, iniciada em 2001. Segundo o levantamento, a inadimplência subiu para 18,1% no mês passado, ante 14,7% registrados no mesmo período de 2005. Em janeiro de 2006, o porcentual era de 16,2%. Já o IEC de fevereiro chegou a 108,6, superior ao índice de 105,7 de fevereiro de 2005. Segundo o IEC, a "linha de otimismo" é igual a 100. Números superiores a 100 acusam otimismo e, abaixo, pessimismo.Sobre o resultado positivo do IEC, a diretora do Instituto, Clarice Messer, explicou que essa "é uma expectativa de futuro positiva, estimulada pelo reajuste do salário mínimo e a correção da tabela do imposto de renda". Para ela, os dados mostram uma perspectiva de consumo favorável para os próximos seis meses. Em contrapartida, explicando os dados de inadimplência, Clarice avaliou que eles são "um sinal de alerta, um sinal amarelo", mas não significam uma crise ou sinalizam o fim do ciclo de crédito no País. Ela explicou ainda que o aumento da inadimplência na Região Metropolitana do Rio de Janeiro ocorreu simultaneamente a uma queda no número de financiamentos, o que para ela mostra um "comportamento responsável" dos consumidores na administração do orçamento. Contas fixasNo caso das contas fixas (energia elétrica, água e gás) a inadimplência no Rio registrou uma queda de 24,0% para 21,8% entre fevereiro de 2005 e fevereiro de 2006. A telefonia fixa apresentou aumento da inadimplência no período (54,4% para 60,8%), enquanto caíram os atrasos nas contas de energia elétrica (46,1% para 39,8%). Contas equilibradas também caemA Fecomercio ainda mostrou que o porcentual de famílias com contas equilibradas na região caiu para 45,6% em fevereiro, ante 50,2% em janeiro. A pesquisa mostrou que 27,6% das famílias tinham sobra no orçamento e 26,8% apresentavam déficit no mês. Dos que tinham sobra, o principal destino citado é guardar o dinheiro para uma eventualidade. "Isso mostra que as pessoas estão atentas às condições gerais para assumir novos compromissos e aguardar um novo momento para suas compras", avaliou Clarice. Segundo ela, os consumidores têm percebido que com a inflação controlada e os juros em queda, haverá boas oportunidades de consumo. "Os dados estão mostrando um comportamento mais responsável do consumidor", avaliou. Clarice explicou que isso fica comprovado pelo modo como as famílias deficitárias estão lidando com o buraco no orçamento. Entre as três principais providências, a maior parte, ou 45,5% das famílias com déficit, estão deixando de consumir alguma coisa; 19,9% pretendem pedir empréstimo a alguma instituição financeira e 13,2% dizem que vão trabalhar mais para conseguir aumentar os recursos.

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