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Inadimplência cai depois de 14 meses

Primeira queda desde dezembro de 2010 fez com que bancos diminuíssem juro e spreads já em março, antes de o governo forçar baixas

FERNANDO NAKAGAWA, ADRIANA FERNANDES/ BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2012 | 03h07

Após 14 meses de aumento ininterrupto da inadimplência entre as pessoas físicas, o calote caiu em março. Dados divulgados ontem pelo Banco Central mostram que o total de empréstimos com pagamento atrasado há mais de 90 dias recuou de 7,6% em fevereiro para 7,4% no mês passado. A primeira queda desde dezembro de 2010 fez com que bancos diminuíssem o juro e também a margem cobrada nos financiamentos, o chamado spread. A tendência continua em abril.

Em um cenário com queda do juro básico da economia e sinais positivos no mercado de trabalho e na renda, consumidores parecem conseguir reorganizar o orçamento e colocar as contas em dia. O Banco Central, que esperava a melhora do indicador há vários meses, comemorou. "O patamar ainda é elevado, mas a tendência é de continuidade da queda da inadimplência no médio prazo", diz o chefe do departamento econômico da instituição, Túlio Maciel.

A única operação que não sentiu melhora foi o financiamento de veículos, cuja inadimplência bateu novo recorde.

Menos calote. Com menos calotes nas demais operações, o juro caiu. Na média, a taxa cobrada no crédito para pessoas físicas diminuiu de 45,4% ao ano, em fevereiro, para 44,4%, em março. Até o dia 12 de abril, a tendência continuava e a taxa já estava em 44%.

Parte dessa queda é resultado da diminuição da margem cobrada nos financiamentos. Entre fevereiro e 12 de abril, a fatia do juro que fica com os bancos diminuiu 0,9 ponto. Com essa queda, o atual spread médio está em patamar semelhante ao visto em dezembro de 2011. Vale lembrar que o dado preliminar de abril ainda não reflete integralmente a ofensiva dos bancos públicos, que passaram a cortar as taxas em 9 de abril.

Concessões. As condições do mercado melhoraram, mas um número menor de consumidores teve acesso aos financiamentos: a média diária de empréstimos concedidos às pessoas físicas em março caiu 5,3% ante fevereiro. Isso mostra que bancos têm sido mais seletivos na hora de aprovar o crédito. Essa cautela faz com que sejam aprovados clientes considerados "melhores", o que, naturalmente, reduz o juro final.

A diminuição do volume de novos financiamentos aos consumidores foi visto nas sete linhas acompanhadas pelo BC. Conhecido no fim do mês passado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, esse quadro foi considerado um "travamento" de mercado pela equipe econômica e serviu de estopim para a ação do governo contra os juros e spreads.

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