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Inadimplência cai e brasileiro usa o 13º para poupar

Quase um quarto dos brasileiros (24,5%) vai usar os recursos da primeira parcela do 13º salário para quitar dívidas. Esse é o menor resultado registrado em cinco anos para o destino do salário extra, segundo levantamento da Ipsos, empresa de pesquisa de mercado, com mil pessoas, em todas as regiões do País.

MÁRCIA DE CHIARA, Agencia Estado

08 de novembro de 2013 | 08h16

"O resultado surpreendeu", afirma o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Emílio Alfieri, ao comentar a pesquisa encomendada pela Associação. Apesar de o pagamento de dívidas, desde 2009, ser o principal uso da primeira parcela do 13º salário, houve forte retração na intenção neste ano. Em 2012, 32,6% dos entrevistados declararam que quitariam as pendências com esse dinheiro.

O recuo do uso do 13º para o pagamento de dívidas é mais uma evidência, segundo o economista, de que a inadimplência está em queda. No mês passado, a inadimplência líquida apurada pela Associação Comercial fechou em 5,1%, em comparação a 5,5% em outubro de 2012. O indicador de inadimplência líquida considera o saldo entre as dívidas não pagas e renegociadas do mês em relação às vendas de três meses anteriores.

O economista atribui a queda do calote, principalmente, ao grande número de campanhas de renegociação de dívidas que estão sendo realizadas desde o início deste ano. No passado recente, os feirões para o consumidor limpar o nome ocorriam só a partir do segundo semestre.

Parte dos consumidores que reduziram a intenção de pagar dívidas com o 13º salário pretende colocar esse dinheiro na poupança.

No ano passado, 16,3% dos entrevistados informaram que poupariam a primeira parcela do 13º salário. Neste ano, essa fatia subiu para 20,4%. A outra parcela dos consumidores que não vai quitar dívidas com esses recursos está indecisa: 20,4% declararam neste ano que não sabem o destino que vão dar ao dinheiro. Em 2012, esse grupo representava 16,3%.

Compras

Pelo menos neste momento, o consumo não aparece com perspectivas de crescimento na pesquisa: a compra de presentes foi apontada por 18,4% dos entrevistados neste ano, em comparação a 18,7% em 2012. Também os gastos com viagens e reforma ou construção da casa recuaram.

No ano passado, 4,7% dos entrevistados informaram que gastariam a primeira parcela do 13º salário com reforma ou construção. Neste ano, essa fatia recuou para 4,1%. No caso do desembolso com viagens, a retração é ainda mais significativa: 9,3% no ano passado ante 6,1% neste ano. "A queda no gasto com viagens reflete a alta do dólar", diz o economista.

Depois de consumir além da conta e ficar inadimplente, os resultados da pesquisa mostram uma maior cautela por parte do brasileiro, que deverá afetar as vendas. Projeções da ACSP indicam que o volume de vendas em dezembro em São Paulo, o maior mercado do País, deve crescer entre 3% e 4% em relação a dezembro de 2012.

Se a projeção se confirmar, o ritmo de alta de vendas será menos da metade do registrado em 2012 para o período, que foi de 9,6% segundo dados do IBGE para o comércio restrito. "Isso se explica pelo menor crescimento do crédito ao consumo, da renda e do emprego e pelas recentes quedas nos índices de confiança", afirma Rogério Amato, presidente da ACSP. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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