Inadimplência cai, mas a crise impõe cautela ao consumidor

No resultado acumulado de 12 meses até fevereiro, a queda foi de 3,5% em relação aos 12 meses anteriores

O Estado de S.Paulo

16 de março de 2017 | 03h00

A quantidade de novos registros de dívidas vencidas e não pagas informadas à Boa Vista SCPC vem caindo desde novembro do ano passado, a um ritmo crescente. No resultado acumulado de 12 meses até fevereiro, a queda foi de 3,5% em relação aos 12 meses anteriores. As Regiões Sul (queda de 5,3%) e Sudeste (redução de 5,1%) apresentaram os melhores resultados, indicando que nelas a situação financeira dos consumidores está melhorando mais depressa do que em outras (na Região Norte, o número de registros acumulados em 12 meses aumentou 1,4%).

Menos do que indicar melhora da renda das famílias, o que esses números podem estar mostrando é que a extensão da crise, iniciada na segunda metade de 2014, e sua profundidade (em dois anos, a redução do PIB brasileiro de 7,2%, o pior resultado em muitas décadas) tornaram os consumidores mais prudentes.

“As adversidades ocorridas na economia ao longo dos últimos dois anos geraram grande cautela nas famílias, inibindo o consumo e consequentemente contribuindo para a diminuição do fluxo de inadimplência”, dizem os técnicos da Boa Vista SCPC na apresentação dos dados da inadimplência relativos a fevereiro. O número de dívidas em atraso diminuiu porque diminuiu também o número de financiamentos.

É provável que, com a recuperação da economia, a queda da inflação, o reinício das contratações, a queda dos juros e o aumento da oferta de crédito, as vendas voltem a crescer, bem como deve aumentar a disposição do consumidor de retomar as compras financiadas. Essa mudança não implicará necessariamente aumento da inadimplência, pois a virulência da crise impôs mais cautela aos consumidores.

O fato de que o pagamento de dívidas deve ser o principal uso do dinheiro que as pessoas estão retirando das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), como constatou pesquisa do SPC Brasil e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, reforça a avaliação de que o consumidor tende a administrar com mais precaução suas finanças. A disposição de pagar dívidas com o dinheiro sacado do FGTS é mais acentuada entre os consumidores de menor renda.

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