Inadimplência cresce 12,8% no comércio de São Paulo

Dados de janeiro levantados pela Associação Comercial também mostram queda nas vendas

Andrea Vialli, O Estadao de S.Paulo

17 de janeiro de 2009 | 00h00

O ano começou com queda nas vendas no varejo e aumento da inadimplência. Na primeira quinzena de janeiro, as consultas aos serviços de proteção ao crédito da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) registraram queda média de 4,45%, o que mostra que o consumidor está com dificuldades para renegociar suas dívidas. No mesmo período, a inadimplência cresceu 12,8%.As consultas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SCPC), que refletem as vendas a prazo nos carnês, tiveram queda de 2,7% em relação à primeira quinzena de janeiro de 2008. As consultas ao SCPC/Cheque, relativas às vendas à vista, mostraram retração de 6,2%, na comparação com o mesmo período do ano passado. "Os dados mostram que há impacto da crise, mas por enquanto a grande trava é o crédito. Ainda não temos uma crise de confiança do consumidor, nem o impacto da perda do emprego. Há chance de rever esses resultados", afirma Emilio Alfieri, economista da ACSP. Ele observa que os dados são preliminares e que o ano útil se iniciou a partir do dia 5, uma segunda-feira, enquanto no ano passado o primeiro dia útil foi 2 de janeiro, uma quarta-feira. "Isso pode justificar um pouco a queda nas consultas, mas sem dúvida temos o impacto da crise", afirma o economista.INADIMPLÊNCIAOs números preliminares da ACSP mostram aumento da inadimplência em relação ao mesmo período do ano passado. Os registros recebidos (carnês que entraram para o cadastro de inadimplentes) cresceram 12,8% nessa primeira quinzena, em comparação com 2008, e chegaram a 216.474. Os cancelamentos (carnês que saíram do sistema de inadimplentes) tiveram queda de 3,9% em comparação com a primeira quinzena de 2008, num total de 150.510. Segundo Alfieri, as restrições de crédito estão dificultando a renegociação das dívidas dos consumidores. "O alerta ainda não é alarmante, como aconteceu com a crise do câmbio em 1999. Mas a queda na recuperação do crédito é um sinal de que a crise realmente chegou ao varejo", diz o economista, que defende corte de pelo menos 0,5 ponto percentual nos juros para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na quarta-feira. No acumulado de 2008 os registros recebidos cresceram 13,6% - resultado alinhado com o da primeira quinzena de janeiro. Os cancelamentos cresceram 9,2%, o que destoa dos dados do início de 2009. Segundo Alfieri, o consumidor pode esperar promoções para as próximas semanas. "O varejo no mês de dezembro foi salvo pelas vendas à vista, motivadas pelo décimo terceiro salário. Agora, o varejista terá que baixar preços e oferecer financiamento", diz.

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