Inadimplência cresce, sem chegar aos bancos

A maior preocupação dos bancos é o aumento da inadimplência dos clientes. Isso não mudou ante o leve crescimento da economia apontado pelo IBC-Br de fevereiro, menos desfavorável do que se esperava. O temor dos bancos se explica: entre os primeiros trimestres de 2014 e 2015, a inadimplência dos consumidores aumentou 15,8%, segundo a consultoria Serasa Experian. Se os atrasos não chegaram aos bancos, nem por isso estes estão menos atentos.

O Estado de S.Paulo

18 Abril 2015 | 02h03

O Indicador Serasa Experian de Inadimplência avançou 13,4% entre março de 2014 e o mês passado e 0,2% entre fevereiro e março. E os maiores responsáveis pela inadimplência foram as emissões de cheques sem fundos e os títulos protestados, porque os clientes dos bancos buscam, a todo custo, pagar as dívidas com as instituições financeiras. A dúvida é se conseguirão manter esse padrão de comportamento enquanto se agravam a perda de renda, as dificuldades com o emprego e a inflação muito elevada.

Entre fevereiro e março, os protestos cresceram 25% e as emissões de cheques sem fundos, 25,1%. O valor médio dos títulos protestados no primeiro trimestre foi de R$ 1.395,98 (+3,4% em relação ao mesmo período de 2014). Valores mais elevados foram registrados nos cheques sem fundos, de R$ 1.624,74 no primeiro trimestre de 2014 para R$ 1.784,53 no trimestre passado (+9,8%).

As dívidas não bancárias aumentaram 35% entre os primeiros trimestres de 2014 e 2015, mas seu valor foi menos expressivo (R$ 437,30). Já as dívidas bancárias em atraso cresceram apenas 0,4%, atingindo o valor médio de R$ 1.248,25.

O valor dos compromissos em atraso mostra que estes se concentram nas faixas de renda média, que mais se beneficiaram com as políticas oficiais, nos últimos anos, e que mais tendem a sofrer agora, com a estagnação. Outra pesquisa da Serasa mostra que as pessoas que mais buscaram crédito entre 6 de janeiro e 6 de fevereiro foram o grupo de jovens adultos da periferia, no qual estão aqueles com até 35 anos, e os adultos urbanos estabelecidos, que alcançaram a estabilidade profissional e desfrutam de bom padrão de vida, "em condições mais confortáveis do que suas rendas poderiam sugerir".

Tanto os devedores em apuros evitam dívidas bancárias como os bancos evitam conceder-lhes empréstimos ou renegociam empréstimos, se necessário. É uma forma de evitar a inadimplência explícita.

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