Inadimplência da agricultura nordestina é alarmante, afirma CNA

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) informou ontem que o endividamento dos produtores da região Nordeste atingiu patamares alarmantes. Dos R$ 13 bilhões de recursos aplicados pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) há cerca de R$ 5 bilhões em atraso, o que representa uma inadimplência de cerca de 40%. No Fundo Constitucional do Centro-Oeste, por exemplo, a inadimplência é de apenas 2,6%. De acordo com a assessoria de imprensa da CNA, o problema será discutido na reunião da manhã desta quarta-feira da bancada parlamentar do Nordeste. Durante a reunião, José Ramos Torres de Melo Filho, vice-presidente da CNA e integrante da Comissão Nacional para Assuntos do Nordeste da entidade, irá mostrar detalhes da situação de endividamento na região e apresentar propostas permitindo aos produtores a quitação das dívidas, para que voltem a investir e gerar renda. De acordo com Torres de Melo, ao mesmo tempo em que existe alta inadimplência, há outra parcela de aproximadamente R$ 4 bilhões disponível para ser liberada pelo FNE, mas que não é aplicada. "Isso comprova a incapacidade dos produtores da região em vencer o endividamento e passar a investir, o que compromete o desenvolvimento do Nordeste", argumentou. Ele lembrou que o Nordeste brasileiro enfrentou sucessivos períodos de seca e, recentemente, a ocorrência de enchentes, fatores que prejudicaram a produtividade e, conseqüentemente, a geração de renda. O tema foi discutido em audiência pública realizada na Câmara dos Deputados em maio deste ano, mas desde então o governo não apresentou propostas práticas para solucionar o problema. Agora, os produtores buscam, com o apoio da bancada federal nordestina, a criação de um mecanismo de reestruturação do endividamento rural da região, processo que poderia ser iniciado com a elaboração de um Projeto de Lei específico para tratar da renegociação dos débitos. A CNA sugere que seja adotada uma regra única para a renegociação das dívidas dos produtores, com novos prazos, taxas e períodos de carência. Seria necessário, segundo a entidade, recalcular os saldos devedores referentes às diferentes linhas de financiamento (oriundas de diversas fontes, entre elas o FNE, o BNDES e crédito rural de custeio), agregando todos os valores em uma só conta e dando um tratamento único para esse total, com condições de pagamento compatíveis com a realidade da região.

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