Inadimplência da pessoa física é a maior desde 2002

Empréstimos com atraso no financiamento de veículos batem recorde e parcelas a receber já somam R$ 3,5 bi

Fernando Nakagawa e Fabio Graner, da Agência Estado,

27 de janeiro de 2009 | 11h11

A crise financeira mundial aumentou a inadimplência do crédito livre no País no final de 2008, e fez com que o número de consumidores inadimplentes atingisse o maior nível desde setembro de 2002, mostraram dados divulgados nesta terça-feira, 27, pelo Banco Central.   Veja também: Operações de crédito no País crescem 31,1% em 2008  Juros caem em dezembro mas bancos ainda elevam spread Desemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise    A taxa de inadimplência do crédito livre subiu para 4,4% em dezembro, ante 4,2% em novembro. Conforme os dados do BC, com a alta registrada no último mês do ano passado, o porcentual dos pagamentos de empréstimos com atraso superior a 90 dias atingiu o maior patamar desde novembro de 2007, quando estava em 4,5%.   Em dezembro, a inadimplência dos empréstimos para as pessoas físicas atingiu 8,1% ante 7,8% de novembro. Esse é o maior nível de inadimplência para pessoas físicas desde setembro de 2002, quando a taxa atingiu 8,2%. Nos financiamentos para as empresas, a inadimplência foi de 1,8% em dezembro, ante 1,7% em novembro.   Veículos   Além disso, a inadimplência no financiamento de veículos atingiu o maior patamar da história em dezembro. De acordo com números divulgados pelo Banco Central, o porcentual dos empréstimos com atraso nos pagamentos superior a 90 dias atingiu 4,3% no último mês de 2008, ante 4,1% de novembro. Esse é o maior patamar da série histórica iniciada em junho de 2000 e mostra que o total das parcelas com atraso superior a três meses que bancos têm a receber já soma R$ 3,5 bilhões.   O levantamento do BC também mostra que o porcentual dos empréstimos com atraso nos pagamentos entre 15 dias e 90 dias também cresceu, de 8% para 8,3%. O valor equivale a parcelas que somam R$ 6,7 bilhões e têm atraso de pelo menos duas semanas. Nesse caso, é o maior patamar desde julho de 2003, quando 8,4% dos financiamentos tinham atraso entre 15 e 90 dias.   O BC também informou que o prazo médio dos empréstimos com recursos livres atingiu 377 dias em dezembro, ante 378 dias em novembro. Nas operações para as famílias, o prazo médio é de 483 dias, mesmo patamar de novembro. E, para as empresas, de 305 dias, estável na comparação com o mês anterior.

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