Inadimplência das empresas sobe 17,5% no ano

Aumento é atribuído a dificuldades econômicas, redução do crédito externo, endividamento dos consumidores e queda das exportações por causa da crise

O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2012 | 03h08

O Indicador de Inadimplência das Empresas, divulgado ontem pela Serasa Experian, registrou alta de 9,4% em maio em comparação com o mês anterior. Em relação a maio de 2011, o aumento foi de 13,2%. De janeiro a maio, o aumento acumulado já chega a 17,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os economistas da empresa especializada em crédito atribuem a evolução da inadimplência em maio à sazonalidade do mês, mas desta vez a alta teria sido 'potencializada' por uma série de entraves econômicos, como atividade econômica fraca, o baixo nível de crédito externo, a forte inadimplência dos consumidores e a queda nas exportações provocada pela crise global.

O indicador é nacional e considera as variações no número de cheques sem fundos, títulos protestados e dívidas vencidas com instituições bancárias e não bancárias. Para a Serasa Experian, a forte expansão mensal dos protestos de títulos (19,4%) antecipa um provável aumento do número de requerimentos de falências.

Em relação a abril, a inadimplência das empresas subiu 0,5% nas dívidas não bancárias, 2,5% nas dívidas com bancos e 20,2% nos cheques.

Nos cinco primeiros meses de 2012, as dívidas não bancárias (cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços como telefonia e fornecimento de energia elétrica e água) tiveram um valor médio de R$ 775,74, o que representou um crescimento de 4% em comparação a igual período de 2011.

O valor médio das dívidas com bancos subiu 4,3% e chegou a R$ 5.269,13 em média. Em relação aos títulos protestados, o valor médio ficou em R$ 1.914,33 (alta de 11,1%). Já os cheques sem fundos ficaram com o valor médio de R$ 2.191,88, o que significou aumento de 6,5% na comparação o acumulado de janeiro a maio de 2011.

Estabilidade. O economista da consultoria Austin Rating, Felipe Queiroz, pondera que, pelos dados do Banco Central (BC) divulgados nesta semana, a inadimplência das empresas está estável, em 4,1%, desde fevereiro, para atrasos acima de 90 dias. Para prazos inferiores, está em 2,3%, também mostrando estabilidade. "São metodologias diferentes", comenta Queiroz, comparando os resultados aos apresentados pela Serasa Experian.

Na opinião do economista, não há, no momento, um cenário de descontrole nos pagamentos das pessoas jurídicas. Os índice mais elevados de calote no setor, segundo dados do BC, foram verificados no fim de 2000 e início de 2011, quando chegaram a 5,6% e 5,8%. "Hoje, o maior problema das empresas não é a inadimplência, mas a demanda interna retraída", afirma.

Famílias. O perfil do endividamento das famílias melhorou em junho, segundo estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor divulgada ontem apontou que o porcentual de famílias brasileiras com dívidas passou de 55,9%, em maio, para 57,3%, em junho, mas 12,4% se disseram muito endividados em junho, contra 13,9% em maio - indicando melhora no perfil, de acordo com a economista Marianne Hanson. O nível de "muito endividados" deste mês é inferior aos 16,6% de junho do ano passado. / AE

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