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Inadimplência das empresas tem pior nível desde 2001, diz BC

Porcentual dos empréstimos com atraso superior a 90 dias sobe pelo décimo mês consecutivo e atinge 4%

Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

27 de outubro de 2009 | 11h02

As operações de crédito do sistema financeiro continuaram a apresentar sinais de recuperação em setembro, com expansão de 1,5% ante agosto, e nova redução dos juros. A inadimplência das empresas, contudo, voltou a se agravar e atingiu o pior patamar desde maio de 2001. O porcentual dos empréstimos com atraso superior a 90 dias subiu pelo décimo mês consecutivo e atingiu 4% das operações, ante 3,9% em agosto. Em novembro de 2008, quando essa sequência de altas teve início, o número estava em 1,7%. As informações foram divulgadas nesta terça-feira, 27, pelo Departamento Econômico (Depec) do Banco Central (BC).

 

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Nos empréstimos para pessoas físicas, o movimento foi contrário e a inadimplência média caiu de 8,4% para 8,2% entre agosto e setembro, retornando ao mesmo patamar de janeiro de 2009. Essa foi a terceira queda seguida da inadimplência entre as famílias. Na média, a inadimplência das operações de crédito livre caiu de 5,9% para 5,8% entre agosto e setembro.

 

Com a leve expansão do crédito, o saldo de todos os empréstimos concedidos às pessoas físicas, empresas e setor público somava R$ 1,347 trilhão ao fim do mês passado.

 

Em nova baixa, a taxa média de juros pelo crédito livre teve em setembro a 10ª queda consecutiva e fechou o mês em 35,3% ao ano. Em agosto, a taxa era de 35,4%. A redução foi liderada pelas operações para pessoas físicas, cuja taxa média recuou de 44,1% para 43,6% no período, o menor nível da série histórica, iniciada em julho de 1994. Nos empréstimos para empresas, o juro médio cedeu de 26,4% para 26,3%.

 

Além da redução das taxas, também houve corte do spread bancário - a diferença entre a taxa de captação e o juro cobrado do cliente. Na média, o spread passou de 26,3 pontos porcentuais para 26 pontos porcentuais de agosto para setembro. Novamente, o segmento do crédito para pessoas físicas liderou a redução, já que o spread para esse grupo passou de 34,3 pp para 33,4 pp. Nos financiamentos para pessoa jurídica, o número passou de 17,8 pp para 17,7 pp.

 

Habitação lidera crescimento

 

O crédito para a habitação cresceu 3,6% em setembro em relação a agosto. O ritmo de crescimento foi mais de duas vezes superior à média do mercado, que cresceu 1,5% na mesma base de comparação. Esse setor teve a maior taxa de expansão do crédito no mês passado, informou o BC.

 

No fim de setembro de 2009, o conjunto de financiamentos para a habitação somava R$ 82,716 bilhões. A cifra é 42,3% maior que a observada em setembro de 2008.

 

'Trajetória de recuperação'

 

Segundo o BC, o resultado de setembro apresentou "desempenho similar ao observado no mês anterior, constatando-se expansão das operações com recursos livres e com recursos direcionados em ambiente de redução das taxas, do spread bancário e da inadimplência". "A trajetória de recuperação do crédito para as famílias segue impulsionada pela elevação na participação dos empréstimos consignados e, nas empresas, intensificaram-se os financiamentos referenciados em recursos domésticos, condicionados pelo desempenho positivo da atividade econômica", destaca o documento.

 

No acumulado dos últimos 12 meses até setembro, a carteira de crédito acumula expansão de 16,9%. A participação do crédito no PIB atingiu no mês passado 45,7%, ante 45,3% em agosto. Em setembro do ano passado, o porcentual do crédito no PIB era de 38,7%.

  

Base monetária

 

A base monetária (papel moeda emitido pelo Banco Central acrescido das reservas bancárias) teve expansão de 4,6% em setembro na comparação com agosto, no conceito de média. Com essa expansão, a base somou no fim de setembro R$ 145,138 bilhões. No acumulado em doze meses, a base teve crescimento de 5,5%.

 

No conceito de ponta, setembro teve expansão de 6,3% em relação a agosto. Com isso, o valor atingiu R$ 145,698 bilhões. Em doze meses, a base monetária teve expansão de 6,4% nesse conceito.

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