Inadimplência de pessoas físicas sobe 24,5% em março

A inadimplência dos consumidores brasileiros apresentou alta expressiva em março de 2005, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira pela Serasa. No período, contrariando o comportamento dos últimos três meses, houve elevação de 24,5% ante fevereiro de 2005 e acréscimo de 16,2% sobre março do ano passado. Na série dessazonalizada, a alta foi de 6,8%, em relação ao mês anterior, e de 16% sobre março de 2004. No primeiro trimestre de 2005, a inadimplência de pessoa física registrou ligeiro aumento de 0,4% em relação aos últimos três meses do ano passado e uma alta expressiva, de 11,6%, quando comparada com o acumulado de janeiro a março de 2004. Na série dessazonalizada, no entanto, ficou 1,2% menor e também 11,6% maior, respectivamente. De acordo com a Serasa, o resultado do indicador sinaliza para uma mudança na tendência que vinha sendo verificada até então e serve de alerta para que o mercado adote procedimentos adequados na concessão de crédito. Os técnicos da empresa destacam que o aumento da inadimplência dos consumidores pode ser explicado por fatores sazonais, decorrentes do maior número de vencimentos ocorridos em março. No terceiro mês do ano, a Serasa observa que cresce a participação, nos gastos das famílias, das despesas extraordinárias, como impostos de início de ano, o vencimento das parcelas das compras de final de ano, as despesas com escola e com materiais escolares. "A contração na massa de salários, neste início de ano, também repercute no indicador de inadimplência de pessoas físicas. Essa contração decorre do aumento no desemprego em proporção superior ao aumento da renda média real", informam os técnicos da empresa de análise de crédito, acrescentando o impacto do aumento nos preços de itens de consumo essencial, como transporte e alimentação. O Indicador Serasa de Inadimplência engloba registros de cheques devolvidos, títulos protestados, dívidas vencidas com instituições financeiras, empresas do varejo, cartões de crédito e financeiras. Em março, os compromissos vencidos com cartões de crédito e financeiras apresentaram a maior participação (35%) na inadimplência de pessoa física, com valor médio de R$ 248,22 das anotações negativas. A segunda maior participação foi registrada por cheques devolvidos (34%), com valor médio de R$ 501,80. Na seqüência, apareceram os registros nos bancos (29% de participação e R$ 1.056,82 de valor médio) e os títulos protestados, com valor médio de R$ 669,57 e a menor representatividade (2%). A Serasa destaca ainda que, em relação a março de 2004, houve um aumento de 20,3% no valor médio das anotações de cheques sem fundos e uma alta de 11,5% no valor das anotações de protestos.

Agencia Estado,

02 Maio 2005 | 13h31

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