Inadimplência deve subir em 2009 e superar 2008, diz Setubal

Presidente do Itaú-Unibanco acredita que a integração das instituições será aprovada 'nas próximas semanas'

Célia Froufe, da Agência Estado

13 de fevereiro de 2009 | 13h47

As taxas de inadimplência no mercado de crédito estão mostrando elevação no início de 2009 e assim devem continuar ao longo do ano. A avaliação foi feita presidente do Itaú-Unibanco, Roberto Setubal, a jornalistas momentos antes da cerimônia Prêmio Qualidade em Bancos 2008, da Revista Banco Hoje, realizada na capital paulista. "Em 2009, a inadimplência será maior infelizmente do que foi em 2008", previu, atribuindo o movimento à piora da conjuntura econômica. Para ele, é natural que as empresas e as pessoas tenham encontrado mais dificuldade em honrar seus compromissos. Entre outros motivos, ele citou como uma causa importante o aumento do desemprego.  Para Setubal, é difícil dizer ainda se o pior da crise já passou. Segundo ele, há muitos problemas que ainda precisam ser superados. Mesmo assim, a avaliação do presidente do Itaú-Unibanco é a de que no Brasil "as coisas estão melhores que lá fora", pois a economia está mais administrável, e por isso, proporciona o melhor enfrentamento da crise.  Veja Também:De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise  Ele evitou dizer se sua preocupação com o aumento da inadimplência é maior para o segmento de pessoa física ou jurídica. "São os dois", resumiu. Setubal lembrou que, no momento anterior à crise, a liquidez de crédito era farta no sistema e que, depois de ter secado no exterior, muitas empresas brasileiras passaram a tomar recursos no mercado doméstico, o que acabou congestionando as vias.  Na avaliação de Setubal, no entanto, já houve melhora no mercado interno recentemente. "Dá para acomodar grande parte da demanda", constatou. Para ele, um segmento que ainda não melhorou suficientemente foi o de linhas externas para o Brasil. Ele acredita que elas podem voltar a ser oferecidas normalmente. "Chegamos a um nível de renovação inferior a 30% e hoje estamos acima de 60%", comparou. Setubal acredita que os bancos têm hoje mais capacidade de atender às empresas e que, na outra ponta, a demanda das companhias também diminuiu com a crise externa.  O presidente do Itaú-Unibanco mantém a projeção de crescimento da carteira de empréstimos para pessoa física e jurídica da ordem de 10% a 15%. Setubal se disse especialmente surpreso positivamente com o comportamento da demanda de financiamento para o setor imobiliário. "Em janeiro, estávamos quase no mesmo nível de setembro", disse. Para ele, ainda que tenha sido reduzido o número de novos lançamentos imobiliários, o mercado de imóveis usados e lançamentos que já tinham sido realizados "caminham dentro da normalidade".  Ele comparaou ainda as taxas cobradas para obtenção de financiamentos bancários e disse que estão menores hoje do que estavam em novembro, quando atingiram seu pico de alta. "Hoje, elas estão bem mais baixas (do que há três meses) e continuam recuando", afirmou.  Setubal alegou que a formação desses preços é feita por uma lógica de mercado, que, por sua vez, é composta de vários fatores. As taxas estão voltando, na avaliação de Setubal em grande parte, em função das medidas anunciadas pelo governo desde o final do ano passado. De acordo com o presidente, a oferta e a liquidez do sistema continuam amplos, mostrando que o procedimento, segundo ele, está normal. Ele disse, no entanto, que foi constatada uma redução da demanda ocasionada pela preocupação com a crise financeira internacional. Setubal deu como exemplo o segmento de automóveis. De acordo com ele, a busca por financiamento para aquisição de veículos melhorou em janeiro após ter registrado o pior período em novembro. Fusão O presidente do Itaú-Unibanco disse também acreditar que a integração das duas instituições será aprovada pelo Banco Central "nas próximas semanas". "Fizemos o anúncio há três meses, e a expectativa é a de que saia nas próximas semanas", afirmou, momentos antes da cerimônia Prêmio Qualidade em Bancos 2008, da Revista Banco Hoje, realizada na capital paulista.  De acordo com Setubal, com a união, as duas instituições se tornarão ainda mais fortes. "Desde o anúncio, já elegemos um só comitê executivo para os dois bancos", disse aos jornalistas. Assim que a integração for aprovada pelo Banco Central, Setubal acredita que em mais algumas semanas a ação dos dois bancos possa ser negociada na bolsa de valores por meio de um só papel. "Isso deve ocorrer até o final deste trimestre", previu.  Texto atualizado às 14h15

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