Thiago Teixeira/Estadão
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Inadimplência do consumidor brasileiro cresce em 2014

De acordo com índice divulgado pela Serasa Experian, aumento da taxa foi de 6,3%; nas contas do SCPC, elevação foi de 2,3%

Mário Braga, Agência Estado

13 de janeiro de 2015 | 09h47

SÃO PAULO - O cenário de baixo crescimento da economia brasileira, a inflação elevada e o desaquecimento do mercado de trabalho contribuíram para a alta de 6,3% na inadimplência do consumidor registrada em 2014, segundo dados da Serasa Experian.

Economistas da instituição destacam que o aumento se deu mesmo no contexto de elevação das taxas de juros, o que desestimula os consumidores a aumentar seus níveis de endividamento.

Em 2013, o Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor havia recuado 2,0% na comparação com o ano anterior. Nos anos de 2012 e 2011, foram registradas altas de 15,0% e 21,5%, respectivamente. Em 2010, a taxa encontrada foi a mesma de 2014, alta de 6,3%. Em dezembro, a inadimplência do consumidor avançou 13,3% na comparação com dezembro de 2013, o que representa a oitava alta consecutiva nesta base comparativa.

Já na comparação com novembro, a alta registrada no último mês de 2014 foi de 4,9%. No período, todas as modalidades da inadimplência do consumidor tiveram elevação, destaca a Serasa. Nas dívidas não bancárias, junto aos cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços, o avanço foi de 4,8%; nas dívidas com os bancos, cresceu 3,2%; nos títulos protestados, a alta foi de 13,5%; e nos cheques sem fundos, de 15,1%.

Ainda segundo a instituição, o valor médio das dívidas não bancárias teve elevação de 12,7% em 2014 ante 2013, para R$ 355,02. Já o valor dos cheques sem fundo cresceu 7,2% no período, para R$ 1.763,82. No valor dos títulos protestados, houve recuo de 0,4%, para R$ 1.381,42. Também houve retração no valor médio das dívidas bancárias no ano passado, de 3,3%, para R$ 1.266,59. 

SPCP. A taxa de inadimplência dos consumidores brasileiros subiu 2,3% em 2014 na comparação com 2013, quando houve recuo de 0,3%, segundo a Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). O resultado veio em linha com a projeção da instituição.   

Já no comércio varejista, houve recuo de 10,5% na mesma base comparativa. Considerando apenas o mês de dezembro, a taxa recuou 0,2% na comparação com o mesmo mês de 2013, mas avançou 1,4% em relação a novembro, na série com ajuste.  No mês de dezembro, o índice registrou queda de 0,7% ante novembro, na série com ajuste sazonal, e alta de 4,2%, em relação a dezembro de 2013. A pesquisa mostra ainda que o valor médio das dívidas registradas em dezembro de 2014 foi de R$ 1.263,30, após ajustes estatísticos.  

Segundo a equipe econômica da Boa Vista, a elevação das taxas de juros, a inflação próxima ao teto da meta de 6,5% e a diminuição do ritmo de alta da renda do trabalhador são as prováveis explicações para o nível mais alto da inadimplência.  "Por outro lado, os critérios mais rigorosos nas concessões, a manutenção do desemprego em baixa e o consumidor mais maduro e consciente dos seus limites no que tange ao uso do crédito, impediram um crescimento maior da inadimplência", diz a instituição, em nota.  

Regiões. Na abertura dos dados por regiões, o Sul foi o que registrou aumento mais expressivo da inadimplência entre 2013 e 2014, com alta de 8,3%, seguido pelo Centro-Oeste, com elevação de 6,0%. Em seguida, aparece o Nordeste, com avanço de 2,4%. Na região Norte a inadimplência subiu 0,8% e, no Sudeste, 0,6%.  Para 2015, a instituição projeta um avanço de 3% na inadimplência. 

"Para a taxa de inadimplência aferida pelo Banco Central através da modalidade de recursos livres destinados às famílias, a expectativa da Boa Vista para 2015 é de 7,2% de inadimplência do total de recursos do sistema", diz a nota.

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