Marcos Santos/USP Imagens
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Inadimplência do consumidor cai 0,6% entre setembro e outubro

Na comparação com outubro do ano passado, o número de inadimplentes subiu 0,21%, o menor avanço para o mês desde 2011

Thaís Barcellos, Broadcast

11 Novembro 2016 | 11h32

SÃO PAULO - O número de consumidores com contas em atraso recuou 0,6% em outubro frente a setembro, informaram o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) nesta sexta-feira, 11. Já na comparação com outubro do ano passado, o número de pessoas inadimplentes subiu 0,21%, o que foi o menor avanço para meses de outubro desde 2011, quando se iniciou a série histórica, pontuaram SPC e CNDL. 

Em números absolutos, em outubro, 58,7 milhões de consumidores estavam com o CPF negativado, o que representa 39% da população adulta, segundo as instituições. Já no acumulado do ano, aproximadamente 1,1 milhão de brasileiros deixaram de pagar alguma conta. 

Os economistas do SPC Brasil avaliaram que o cenário atual de inadimplência dos consumidores se justifica pela recessão econômica, com desemprego, inflação e juros elevados, além dos efeitos da restrição do crédito, que limita a capacidade de endividamento dos brasileiros. "A menor variação da inadimplência vem acontecendo porque o consumidor, no geral, está se endividando menos, seja pela queda na confiança em cumprir com os compromissos financeiros no futuro, seja pela maior restrição ao crédito. Infelizmente, o cenário não está ligado, portanto, a uma melhoria da capacidade de pagamento das contas", explica o presidente da CNDL, Honório Pinheiro.

Na divisão por regiões, o Sudeste concentra o maior número absoluto de consumidores negativados, 24,6 milhões, o que representa 37,99% da população adulta. A segunda região com mais pessoas inadimplentes, em termos absolutos, é o Nordeste, com 15,4 milhões. Em seguida, vem o Sul, com 8,3 milhões de pessoas negativadas, o Norte, com 5,4 milhões de inadimplentes, e o Centro-Oeste completa a lista com 4,9 milhões de devedores. 

Já o volume de dívidas em nome de pessoas físicas teve recuo de 1,45% na passagem de setembro para outubro, sem ajuste sazonal, e queda de 3,42% na comparação anual. O setor de comunicação, que abrange dívidas em contas de telefonia, internet e TV por assinatura, foi o que mostrou maior recuo em outubro ante o mesmo mês do ano anterior, de 11,7%. As dívidas bancárias caíram 3,60% e os atrasos no comércio apresentaram retração de 1,90%. O único setor que apresentou alta foi o de serviços básicos, como contas de água e luz, com crescimento de 2,97% em outubro frente ao mesmo mês do ano passado. 

"A queda significativa das dívidas com telefone e TV por assinatura, por exemplo, é reflexo de uma mudança de comportamento do consumidor, que está mais cauteloso na hora de contratar serviços que não são essenciais. Já a alta dos atrasos em serviços básicos pode ser resultado da disposição crescente das concessionárias em negativar os consumidores inadimplentes como forma de acelerar o recebimento dos compromissos em atraso. Tem se tornado mais comum que essas empresas negativem o CPF do residente antes de realizar o corte no fornecimento", afirmou a economista do SPC Brasil Marcela Kawauti. 

Já em termos de participação, as dívidas bancárias concentram a maior parte das pendências existentes no País, com 48,27%. Depois, vem o comércio, com 20,34%, o setor de comunicação, com 13,67% e o setor de serviços básicos, com 7,59% do total.

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