Inadimplência do Fies pode 'explodir'

Relatório do Morgan Stanley sobre o setor de educação superior questiona a sustentabilidade do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), programa que alavancou matrículas em instituições privadas. Os analistas Javier Martinez de Olcoz Cerdan e Thiago Bortoluci consideram que o modelo pode não ser sustentável e afirmam que o Fundo de Garantia de Operações de Crédito Educativo investe em ações de baixa liquidez.

O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2014 | 02h04

"A inadimplência está prestes a saltar e o fundo que cobre esse risco está descapitalizado e investe em ativos surpreendentemente controversos e sem liquidez", afirmam os analistas do Morgan Stanley.

Segundo eles, 47% dos recursos geridos pelo fundo garantidor estão em ações do Banco do Nordeste e do Banco da Amazônia. "Um fundo de garantia deveria estar mais focado em títulos indexados à Selic e menos exposto a ações", criticam. Os profissionais preveem uma alta na inadimplência - o que pode obrigar o uso do fundo garantidor.

A regra do Fies permite que o estudante só comece a pagar o curso depois de um ano e meio de formado. Considerando que o Fies começou a crescer em 2010, a expectativa é de que a inadimplência apareça em meados de 2015. Hoje, segundo o Ministério da Educação, os atrasos acima de um ano estão em 10%. Para o banco, a taxa pode saltar a 27% em 2017.

"Hipoteticamente, a inadimplência pode consumir o total de recursos (do fundo)", comentam os analistas. Para eles, os recursos que companhias privadas enviam ao fundo não serão mais suficientes para cobrir a inadimplência já em 2016. Isso pode obrigar o governo a gastar mais para cobrir o "buraco" do Fies.

'Estamos investindo em nanotecnologia para medicamento'  

Na contramão dos laboratórios nacionais que investem fortemente em medicamentos genéricos, a farmacêutica Biolab, de São Paulo, líder em medicamentos de prescrição médica voltada para cardiologia, está apostando em produtos inovadores, com base na nanotecnologia. A companhia registrou a patente de seu novo produto, o Nanorap (anestésico), nos Estados Unidos, e aguarda aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "Já temos interessados em firmar parceria com a gente nos Estados Unidos", disse Cleiton de Castro Marques, presidente da Biolab.

Por que a empresa decidiu apostar em inovação?

Começamos a investir na produção de medicamentos por meio da nanotecnologia (manipulação de matéria numa escala molecular), cujo efeito é mais rápido. Desenvolvemos o primeiro nanoanestésico tópico (creme), voltado para pequenas incisões, temos outros seis produtos em pesquisa com base nessa tecnologia. Já temos dois dermocosméticos. Um deles, o Photoprot, tem proteção mais prolongada.

Esse produto (Nanorap) poderá ser comercializado no Brasil?

Registramos o pedido de registro na Anvisa no mês de agosto e aguardamos aprovação para comercializá-lo. Ao mesmo tempo, fizemos o registro da patente nos Estados Unidos, que tem validade por 30 anos. Já fomos procurados para desenvolver o produto em parceria com outras empresas lá fora, mas ainda não fechamos nenhum acordo.

O produto será o novo blockbuster (campeão de venda) da companhia?

Ele tem potencial para ser um dos nossos produtos mais vendidos. Um dos nossos principais medicamentos hoje é o Vonau (para náusea).

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