Inadimplência estabiliza em agosto após oito meses de alta

Segundo dados do Banco Central, nível de calote das empresas, no entanto, é o maior desde maio de 2001

Agência Estado e Reuters,

29 de setembro de 2009 | 10h41

A inadimplência ficou estável em agosto, em 5,9%, após oito meses consecutivos de alta, mas o nível de calotes das empresas, de 3,9%, é o maior desde maio de 2001, informou o Banco Central nesta terça-feira, 28.

 

O BC divulgou ainda que o estoque total das operações de crédito no país cresceu 1,5% em agosto, a R$ 1,327 trilhão, o equivalente a 45,2% do Produto Interno Bruto (PIB). No acumulado do ano, o crédito teve crescimento de 8,1% e, nos 12 meses encerrados em agosto, alta de 19,5%.

 

As operações do sistema financeiro público cresceram 2,3% no mês, 20,5% de janeiro a agosto e 40,9% em 12 meses. O sistema financeiro privado nacional ampliou o crédito em 1,3% no mês. No ano, a expansão é de apenas 2,9% e, em 12 meses, de 9,3%. O sistema financeiro estrangeiro teve elevação de 0,3% no mês em seu nível de crédito; queda de 2,6% no ano e, em 12 meses, expansão de 6,4%.

 

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, informou que o prazo médio das operações de crédito com recursos livres para a pessoa física, que atingiu 498 dias corridos, em agosto, foi o mais alto da série. Segundo ele, esse alongamento combinado com a trajetória de queda das taxas de juros e a retomada do crescimento do crédito consignado, leva a uma expectativa positiva para as vendas de final de ano. "Todos esses fatores levam a tomada de mais crédito pelas famílias", disse.

 

Juros

 

A taxa média de juros das operações de crédito com recursos livres ficou em 35,4% em agosto ante

36% em julho, de acordo com o BC. O juro médio para pessoa física recuou de 44,9% para 44,1% e, para pessoa jurídica, cedeu de 26,7% para 26,4%, na mesma base de comparação.

 

O spread bancário (diferença entre a taxa de captação dos bancos e o juro cobrado do consumidor) ficou em 26,3 pontos porcentuais no mês passado, ante 26,8 pontos porcentuais em julho. O spread para as pessoas físicas recuou de 35,2 pontos, para 34,3 pontos, enquanto para pessoas jurídicas teve ligeira queda de 17,9 para 17,8 pontos porcentuais.

 

Habitação 

 

O crédito concedido pelos bancos para o setor habitacional cresceu 3,8% em agosto, na comparação com julho. Com essa expansão, o total da carteira de operações deste segmento atingiu R$ 79,852 bilhões no mês passado. Em 12 meses terminados em agosto, essas operações tiveram crescimento de 42,1% ante 12 meses encerrados em agosto do ano passado. Nesse valor são computados apenas os financiamentos para pessoas físicas e os concedidos por cooperativas habitacionais. Os empréstimos destinados aos empreendimentos são agregados nos dados de pessoas jurídicas.

 

Em agosto, o setor habitacional foi o que apresentou mais expansão entre todas as operações de crédito concedidas ao setor privado. Entre as demais categorias que tomaram financiamento, a carteira de operações destinadas ao setor de serviços cresceu 2,3% em agosto ante julho e as transações para o comércio tiveram alta de 2,1% nesse mesmo período. No total do setor privado, o saldo das operações aumentou 1,5% entre os dois meses e acumula alta de 16,7% nos 12 meses encerrados em agosto.

Tudo o que sabemos sobre:
créditoBanco Centralagosto

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.