Inadimplência faz lucro do Santander diminuir R$ 146 milhões no semestre

Terceiro maior banco privado do País, o Santander também teve os resultados do primeiro semestre de 2012 impactados pela alta da inadimplência, como já havia ocorrido com Itaú e Bradesco. A instituição lucrou R$ 3,23 bilhões entre janeiro e junho, o que representou uma queda de 4,3% na comparação com o mesmo período de 2011, quando o lucro havia sido de R$ 3,37 bilhões. No segundo trimestre, o ganho recuou 5,5%, para R$ 1,46 bilhão.

LEANDRO MODÉ, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2012 | 03h12

"A queda resultou, sobretudo, da inadimplência maior", afirmou o presidente do Santander, Marcial Portela. O índice de inadimplência em operações vencidas há mais de 90 dias encerrou o segundo trimestre em 4,9%, ante 4,5% nos três primeiros meses do ano. No trimestre anterior, a venda de uma carteira de R$ 700 milhões impediu uma alta mais expressiva do calote. O índice "real" seria de 4,8%.

Nas pessoas físicas, a inadimplência fechou o trimestre em 7,3% (ante 6,7% no segundo). Nas empresas, a taxa avançou de 2,4% para 2,6% no período. Portela frisou que a tendência para o segundo semestre é de estabilização e, provavelmente, melhora desses indicadores.

Ele explicou que, nos próximos meses, a qualidade da carteira de crédito será superior porque incorporará mais fortemente empréstimos concedidos a partir do segundo semestre de 2011. Naquele ponto, disse, o banco passou a adotar critérios mais apertados.

Segundo o presidente do Santander, a alta da inadimplência é fruto de vários fatores. Um deles diz respeito ao próprio setor bancário. "Os bancos têm uma parte da responsabilidade (pela alta da inadimplência), pois ajudamos no endividamento das famílias", reconheceu. Por isso, ele avalia que um dos grandes desafios - para o setor e para a sociedade em geral - é a educação financeira, para que as famílias se endividem de forma saudável.

Outro fator que, segundo Portela, contribuiu para a alta da inadimplência, é a desaceleração inesperada da economia, que afetou, em especial, o ciclo econômico-financeiro das empresas.

Reação. As ações do Santander na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tiveram uma quinta-feira volátil. Nas primeiras horas que se seguiram à divulgação dos resultados, caíram. Ao longo do dia, se recuperaram, para fechar com valorização de 2,82%. O Ibovespa subiu 2,65%.

Um analista que pediu para não ser identificado afirmou que os resultados do segundo trimestre reforçaram a percepção de que o Santander não consegue os mesmos níveis de lucratividade, rentabilidade e concessão de crédito dos rivais nacionais.

Analistas dos banco Barclays observaram que há risco de as ações do Santander continuarem apresentando desempenho inferior ao dos concorrentes brasileiros pela mesma razão.

O Barclays destacou também o salto nas despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD).O balanço mostrou que essas despesas subiram 23,2% no segundo trimestre ante o primeiro e avançaram 47% no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2011, somando R$ 6,9 bilhões.

Esse avanço ganhou destaque na análise do banco Credit Suisse. Também em relatório, especialistas do banco afirmaram que as provisões "reforçam a visão de que o Santander vinha provisionando de forma menos efetiva nos trimestres anteriores".

O texto, assinado por Marcelo Telles, Daniel Sasson e Victor Schabbel, nota ainda que houve uma redução de R$ 8,6 bilhões nos empréstimos classificados na categoria AA, o que poderia indicar que foi feita uma "reclassificação nos empréstimos para grandes empresas".

Consultado, o Santander informou que esse tipo de reclassificação é comum. A instituição explicou que os ratings dos clientes são constantemente ajustados, de acordo com as informações disponíveis. No caso brasileiro, o banco revisou as notas de vários clientes em função da desaceleração da economia. / COLABOROU CYNTHIA DECLOEDT

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