Inadimplência: índices diferentes

A taxa de inadimplência subiu 3,3% em relação a setembro, segundo pesquisa da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP). Porém, outra pesquisa, feita pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), indica que a inadimplência, até o dia 15, teve queda de 2,6% na comparação com setembro. Apesar dos dados muito diferentes, especialistas de ambas as instituições consideram que a situação de inadimplência não é preocupante e que a tendência é de melhora.A pesquisa da ACSP, feita junto aos lojistas, utiliza uma metodologia que analisa o nível de atividade no comércio e também a média das consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) e ao Telecheque. Na pesquisa da FCESP foram entrevistados consumidores maiores de 18 anos residentes na cidade de São Paulo com perguntas relativas ao comprometimento de renda dessas pessoas com despesas correntes, como contas de água, luz, gás, telefone e aluguel. Levando em consideração que as fontes da pesquisa da ACSP estão diretamente relacionadas ao fator analisado, a inadimplência, os números obtidos pela Associação são mais precisos do que os da FCESP, cuja análise foi feita junto aos consumidores. Além disso, o objetivo principal da pesquisa da Federação foi verificar o endividamento, e não a inadimplência.Apesar dos diferentes resultados, ambas as pesquisas indicam uma tendência de tranqüilidade em relação à inadimplência em outubro. Para a economista da FCESP, Rosana Curzel, a elevação registrada é marginal, ou seja, não é alarmante, significando que não há motivos para que os lojistas se preocupem. "A situação está bem melhor do que antes."Tendência de melhoraConforme os dados da Federação, mesmo com o suposto aumento da inadimplência registrado em outubro, o índice ainda é inferior ao mesmo período do ano passado, com possibilidade de "voltar a cair dependendo do comportamento futuro do comprometimento de renda com gastos correntes".Segundo o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alencar Burti, o índice de inadimplência ainda não está no patamar desejável, que, em sua opinião, é de 3% a 3,5%. Porém, em relação ao ano passado, cujos números chegaram a 20%, a situação está boa e deve melhorar. Curzel diz que a inadimplência está relacionada com o comprometimento de renda, que, por sua vez, é medido a partir dos gastos correntes como contas de água, luz, aluguel e telefone. Segundo a pesquisa da FCESP, esses gastos mantiveram-se estáveis. Casos de elevação contínuas das taxas de inadimplência levariam a um aumento das taxas de juros, mas, de imediato, "isso não vai acontecer porque o índice ainda não representa risco de crédito", diz a representante da FCESP. "O risco acontece quando ocorre um endividamento a curto e longo prazo."EndividamentoSegundo a pesquisa da FCESP, o consumidor da região metropolitana de São Paulo está menos endividado neste mês em relação a setembro, apesar do suposto aumento da inadimplência. O índice de endividamento das pessoas e famílias com contas de curto e longo prazos caiu 1,4% no mês em análise. Em relação ao mesmo período de 1999, a taxa teve queda de 4,1%. De acordo com a análise, o fim do ciclo de aumento de preços de serviços de utilidade pública, como água e energia elétrica, pode representar o início de uma diminuição no comprometimento de renda com reflexos positivos na renda disponível dos consumidores.

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