Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Inadimplência vai a 4,7% em maio e atinge o maior patamar em quase dois anos

A taxa de juros média passou a 42,5% ao ano no mês passado, renovando recorde de alta da série histórica iniciada em 2011

REUTERS

23 de junho de 2015 | 11h11

A inadimplência no mercado de crédito brasileiro subiu pelo segundo mês consecutivo em maio no segmento de recursos livres, chegando ao maior patamar desde 2013. O resultado acompanha o aumento dos juros promovido pelo Banco Central para domar a inflação.

No segmento de recursos livros, que possui taxas de juros livremente definidas pelas instituições financeiras, a inadimplência foi a 4,7% em maio, ante 4,6% em abril, igualando o patamar visto pela última vez em setembro de 2013.

Ao mesmo tempo, a taxa de juros média do segmento passou a 42,5% ao ano no mês passado, sobre 41,8% em abril, renovando recorde de alta da série histórica iniciada em março de 2011.

O movimento tem como pano de fundo a elevação na Selic adotada pelo BC desde outubro passado para arrefecer a persistente alta dos preços, que bateu em 8,47% nos 12 meses até maio, bem acima da meta do governo de 4,5% pelo IPCA, com margem de dois pontos para mais ou para menos.

Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no início do mês, o BC elevou a Selic a 13,75% ao ano, dando pistas de novos aumentos pela frente em sua tarefa de ancorar as expectativas para a inflação no centro da meta no fim de 2016 com "determinação e perseverança".

O BC informou ainda que, no segmento de recursos direcionados - operações que contam com taxas ou recursos definidos por normas do governo -, a inadimplência manteve-se em 1,2% em maio, enquanto a taxa de juros média avançou a 9,3%, sobre de 8,9% ao ano no mês anterior.

O spread bancário - diferença entre o custo de captação e a taxa efetivamente cobrada pelos bancos - subiu a 29,8 pontos percentuais no segmento livre em maio, contra 29,3 pontos percentuais em abril. No segmento direcionado, o spread também teve alta, de 0,1 ponto, a 3,2 pontos percentuais.

O estoque total de financiamentos em maio subiu 0,7% sobre abril, a R$ 3,081 trilhões, recobrando algum fôlego após modesta alta exibida no mês anterior, de apenas 0,1%. Em 12 meses, a alta foi de 10,1%, ainda segundo o BC.

O estoque respondeu por 54,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no mês, contra 54,3% do PIB em abril, em dado revisado pelo BC.

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