Inadimplência no comércio mantém queda em janeiro

Levantamento da CNC indica que há mais endividados no País, mas as contas estão sendo pagas em dia

Alessandra Saraiva, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2011 | 00h00

A inadimplência dos consumidores do comércio brasileiro manteve ritmo de queda em janeiro, segundo pesquisa divulgada ontem pela Confederação Nacional do Comércio. O levantamento, realizado com base em 18 mil questionários, indicou ainda que há mais endividados entre os consumidores, mas as contas estão sendo pagas em dia.

A CNC detectou ainda um recuo nas intenções de compras dos brasileiros. Segundo a pesquisa, o indicador de Intenção de Consumo das Famílias interrompeu sequência de oito meses de alta e mostrou queda de 2,9% em janeiro ante dezembro, bem diferente da alta de 3,1% apurada no último mês de 2010. Mas o economista da confederação Fábio Bentes comentou que este recuo é facilmente explicado por fatores sazonais.

"Em dezembro, tivemos alta recorde na intenção de consumo por causa das compras relacionadas ao Natal. Em janeiro, o interesse por compras diminui naturalmente, por causa da alta já ocorrida em dezembro. Não há mais aquela euforia com o pagamento do 13.º salário", explicou.

Bentes lembrou que o ano passado contou com condições muito favoráveis à intenção de compras, como benefícios fiscais estimulando a venda de bens duráveis e uma oferta mais ampla de crédito. "As vendas do varejo devem encerrar 2010 com alta recorde de 11,2%, nos dados apurados pelo IBGE (ainda não divulgados). Mas, mesmo com a perspectiva de oferta mais restritiva de crédito este ano, por causa das medidas anunciadas pelo governo, as vendas do varejo em 2011 devem subir 8,3%."

Para os economistas da entidade, o primeiro trimestre deste ano deve contar com um consumo ainda aquecido, impulsionado principalmente por famílias mais pobres, além de uma alta na inadimplência. Bentes argumentou que o mercado de trabalho continua, no início do ano, a apresentar bons resultados, com impacto positivo no poder aquisitivo do brasileiro.

Os aumentos no salário mínimo contribuíram para a continuidade da trajetória de alta no consumo entre os mais pobres, mesmo com o recuo na média nacional em janeiro. Somente entre os pesquisados com ganhos de até dez salários mínimos, o indicador de intenção de consumo das famílias subiu 9,6% em janeiro ante dezembro - no mesmo período de comparação, entre famílias com renda acima de dez salários mínimos, o índice caiu 2,6%.

Mas o menor interesse por compras não diminuiu o nível de endividamento do brasileiro. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) apurou alta de 58,3% para 59,4%, no porcentual de pesquisados que se classificam como endividados, de dezembro do ano passado para janeiro deste ano. Porém, em janeiro de 2010, o nível de endividados era maior, de 61,2%. Ainda segundo a pesquisa, a fatia de consumidores com dívidas ou contas em atraso caiu de 23,5% para 22,1% de dezembro para janeiro - em janeiro de 2010 era de 29,8%.

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