Inadimplência parou de cair em agosto

A inadimplência do crediário parou de cair em agosto depois de três meses seguidos de desaceleração, o que despertou a atenção dos analistas em relação ao desempenho do comércio neste ano. Apesar do alerta, as financeiras acreditam que a estabilidade dos índices de atraso no crediário de julho para agosto ainda não se trata de uma tendência e que, com a recuperação do emprego, a inadimplência poderá voltar a cair. Tanto é que eles continuam otimistas, mas apontam a redução do calote como o único fator que pode derrubar os juros ao consumidor nos próximos meses.Dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) mostram que de cada 100 carnês, 5,8 estavam com pagamento em atraso há mais de 30 dias em agosto, o mesmo resultado do mês anterior. "A inadimplência líquida em agosto deveria atingir, no máximo, 5%", diz o economista da associação, Emílio Alfieri. A inadimplência líquida é a diferença entre os carnês em atraso e os crediários recuperados em relação ao total de consultas recebidas para venda a prazo nos três meses anteriores.O mesmo indicador mostra um repique no calote em agosto, mesmo descontando-se as influências dos eventos típicos em cada épocas do ano, como aumento das vendas em dezembro por causa do natal e queda em fevereiro, devido ao carnaval. O índice também leva em conta o número de consultas do próprio mês, segundo cálculo da Tendências Consultoria Integrada. Em julho, a inadimplência líquida representava 3,4% dos créditos a receber e, em agosto, atingiu 6%.O índice de inadimplência da Tendências vinha recuando mês a mês desde março deste ano e agora retomou o nível de maio, mas está abaixo do de agosto de 1999, quando atingiu 6,7%. Apesar do repique, o índice acumulado de janeiro a agosto de 2000 está em 7,5%, ante 12,7% registrados em igual período do ano passado.A analista do Tendências, Zeina Latif, acredita que esse aumento pode refletir a menor cautela dos consumidores e das lojas em assumir e conceder crédito por conta da melhor situação da economia do país, o que ampliou o volume dos empréstimos. Essa avaliação é compartilhada por Alfieri, da ACSP.Consumidor tem receio de novas dívidasA cautela das financeiras e o receio do consumidor em assumir novas dívidas já estariam, segundo Alfieri, tendo reflexos nas vendas. Nos primeiros cinco dias deste mês, as consultas para compra no crediário cresceram apenas 1,5% em relação a igual período de 1999, após terem desacelerado no mês passado. Enquanto isso, o volume de consultas para venda à vista aumentou 19% entre os dias 1.º e 5 deste mês em relação a setembro do ano passado. Isso confirma a recuperação dos negócios à vista do comércio, que encerraram agosto com aumento de 11,1% na comparação com 1999.A perda de ritmo do crediário em agosto, confirmada neste mês, fez a ACSP rever de 10% para 7% a estimativa de crescimento das vendas do comércio para este ano em relação a 1999.Veja ainda hoje matéria sobre financeiras que estão oferecendo taxas de juros menores aos consumidores que pagam o crediário em dia.

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