Inadimplência subiu de elevador, mas vai descer de escada

Análise: Luiz Rabi

É ECONOMISTA DA SERASA EXPERIAN, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2012 | 03h09

O patamar recorde da inadimplência bancária reside na escalada vertiginosa e, até agora, ininterrupta, da inadimplência dos consumidores, a qual atingiu 8% em maio. Não é a primeira vez que a inadimplência dos consumidores se eleva no Brasil. Desde a virada do século, este é o quarto ciclo de alta. Mas é o primeiro que ocorre em meio a reduções contínuas da taxa de desemprego. Por que tal paradoxo? Por causa da "overdose" de endividamento de 2010.

Segundo levantamento da Serasa Experian, 45% das pessoas que buscaram crédito nas financeiras de veículos e empresas de leasing em 2010, tinham mais de 50% de chance de se tornarem inadimplentes. Nos bancos e financeiras com foco em varejo e também nos consórcios, o porcentual dessas pessoas na mesma situação de risco era de 39%. Não poderia dar em outra coisa! No fim de março deste ano, 64% das pessoas que estavam negativadas na Serasa Experian por dívidas no sistema financeiro e/ou crediários no varejo tinham um montante de compromissos vencidos e não pagos superior a 100% de sua renda mensal, a pior configuração dos últimos dois anos.

Entretanto, há algumas luzes no fim do túnel. Segundo o próprio BC, os atrasos (dívidas vencidas entre 15 e 90 dias) de maio/12 (6,7%) foram os menores dos últimos três meses; o volume de dívidas negativadas na Serasa Experian está desacelerando na comparação interanual; os bancos estão mais rigorosos na concessão de novos créditos; e o porcentual de cheques devolvidos, sazonalmente ajustado, foi menor em abril/maio de 2012 do que os picos verificados em outubro/novembro de 2011.

Embora ainda incipientes, são sinais de que o cenário da inadimplência deverá ser mais favorável no segundo semestre do que o dos dias atuais, salvo agravamento "à lá 2008" do cenário internacional. Mas, como agora houve um desequilíbrio patrimonial dos consumidores mais intenso pelo excesso de endividamento, a normalização dos níveis de inadimplência será bem mais lenta que das ocasiões anteriores. Desta vez, a inadimplência subiu de elevador, mas vai descer de escada.

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