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Inadimplência volta a subir e BC vê mercado de crédito crescendo menos em 2014

Após ter ficado estável nos primeiros meses do ano, a inadimplência no Brasil voltou a crescer em maio, num cenário de menor expansão do crédito, especialmente dos bancos privados.

LUCIANA OTONI, REUTERS

25 de junho de 2014 | 15h09

O Banco Central informou nesta quarta-feira que o índice de inadimplência subiu a 5 por cento no segmento de recursos livres no m6es passado, num contexto de juros maiores e inflação elevada, após ter ficado em 4,8 por cento desde janeiro.

Considerando os recursos totais, incluindo também o crédito direcionado, a inadimplência também cresceu em maio, a 3,1 por cento, após ficar em 3 por cento desde dezembro de 2013.

Essa piora ocorre simultaneamente à maior cautela na oferta de empréstimos, que fez o BC reduzir de 13 para 12 por cento a previsão de expansão do estoque de crédito total do país neste ano. No ano passado, o aumento foi de 14,7 por cento.

A revisão para baixo foi puxada pela piora esperada na oferta de crédito por parte dos bancos privados nacionais, cujos estoques devem crescer apenas 6 por cento neste ano, abaixo dos 10 por cento esperados antes e dos 6,6 por cento vistos em 2013.

"A questão da confiança pressupõe cautela tanto por parte dos tomadores quanto por parte dos bancos", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.

Para o segmento dos bancos públicos, porém, a autoridade monetária manteve em 17 por cento a estimativa de crescimento para 2014, ante os 22,6 por cento do ano passado.

Por outro lado, o BC elevou um pouco a estimativa sobre crescimento dos estoques nos bancos privados estrangeiros, a 9 por cento, 1 ponto percentual a mais do que a previsão anterior.

Nos últimos meses, os bancos têm mostrado mais cautela na oferta de crédito, em meio à alta da taxa básica de juros, baixo crescimento do país e menor oferta de emprego.

SPREAD E JUROS SOBEM

Além da inadimplência crescente, o BC informou ainda que o spread bancário --diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa cobrada ao consumidor final-- ficou em 20,7 pontos percentuais no segmento de recursos livres em maio, acima dos 20,1 pontos percentuais em abril. No crédito total, o spread subiu 0,4 ponto percentual, a 12,9 pontos.

A taxa média de juros seguiu o movimento e, no segmento de recursos livres, fechou maio em 32,0 por cento, ante 31,7 por cento em abril e em março. No crédito total, subiu a 21,4 por cento no mês passado, após ficar em 21,1 por cento nos dois meses anteriores.

O BC interrompeu o ciclo de elevação dos juros básicos da economia no fim de maio, ao manter a Selic em 11 por cento ao ano, depois de a ter retirado da mínima histórica de 7,25 por cento para combater a inflação elevada.

O BC informou ainda que o estoque total de crédito no Brasil subiu 1 por cento em maio ante abril, chegando a 2,804 trilhões de reais, ou 56,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Para 2014, o BC manteve a projeção de encerrar o ano em 58 por cento.

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