Inadimplente tem dificuldade para segurar veículo

Motoristas com o nome na lista de devedores estão sendo barrados pelas seguradoras. Além de sofrer restrição de crédito em lojas e financeiras, o consumidor inadimplente também está encontrando dificuldade para contratar um seguro de automóvel. As empresas justificam que, de acordo com os números do setor, os inadimplentes estão mais suscetíveis a roubos, furtos e acidentes com veículos. A Fundação Procon-SP, órgão de defesa do consumidor ligado ao governo estadual, considera prática abusiva a negativa da prestação de serviço para inadimplentes.De acordo com o vice-presidente da Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e Capitalização (Fenaseg) e da Sul América Seguros, Júlio Avelar, algumas seguradoras não estão aceitando motoristas inadimplentes porque eles representam alto risco de sinistro. ?A restrição cadastral é uma das questões que são levadas em consideração pela seguradora na elevação do risco. Isso porque os número das seguradoras constatam que a maioria de sinistros de furtos e roubos acontecem com clientes inadimplentes?, explica.O vice-presidente Fenaseg e da Sul América Seguros acredita que a tendência é de que as seguradoras comecem a aceitar estes motoristas mas, cobrando um valor mais alto pelo seguro. ?Como estes consumidores apresentam um risco maior, a tendência e de que eles paguem mais caro para ter o carro segurado?, alerta Júlio Avelar. Ele conta que os segurados que possuem o nome limpo na praça apresentam, normalmente, um histórico de sinistros inferior aos inadimplentes.Negativa pode parar na JustiçaO técnico em assuntos financeiros do Procon-SP, Diogenes Donizete Silva, avisa que a seguradora tem o prazo de até 15 dias para responder ao consumidor se aceita ou não segurar o veículo. ?Se não aceitar segurar o bem do consumidor, a empresa deve apresentar uma justificativa para a negativa?, explica. Ele afirma que ao negar a prestação do serviço por inadimplência do consumidor, a seguradora está pressupondo a má fé do motorista.Diogenes Silva acredita que um consumidor que paga seu seguro à vista não pode ser pré julgado pela seguradora. ?Trata-se de uma prática abusiva. O consumidor pode ingressar na Justiça com uma ação de danos morais contra a seguradora?, alerta. O técnico do Procon-SP orienta o consumidor a procurar os órgãos de defesa do consumidor e o Poder Judiciário para resolver este tipo de situação.

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