finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Inadimplentes desconfiam da queda do juro

Consumidores com dívidas recusam propostas de renegociação e acham que redução é passageira

MÁRCIA DE CHIARA, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2012 | 03h07

Escaldado pela inadimplência, o consumidor desconfia do "mundo maravilhoso do crédito" anunciado nas últimas semanas, primeiro pelos bancos do governo e em seguida pelos bancos privados, no qual as taxas de juros foram reduzidas em até 21%.

"Eu não acredito que os bancos vão baixar os juros", diz a técnica de enfermagem Valkiria Machado, de 42 anos. Na quarta-feira ela foi ao shopping Metrô Itaquera, na zona leste da capital paulista, em busca do mutirão de renegociação de dívidas em atraso promovido pela Boa Vista Serviços, que administra o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC).

"O que manda neste País é o juro, aliás um dos mais altos do mundo. As taxas podem até se estabilizar por algum tempo, como aconteceu com o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), mas depois volta", deduz a técnica de enfermagem.

Com renda mensal de R$ 1,5 mil, ela renegociou uma dívida de R$ 1.373 contraída em 2009 nas Casas Bahia para comprar eletrônicos. No meio do caminho, teve problemas de saúde e parou de trabalhar. O resultado foi o atraso nas prestações. Depois dessa experiência ruim, ela não quer fazer novos financiamentos. "Quero comprar um carro, mas vou fazer uma poupança para isso."

O comerciante Valdemir Avanse, de 46 anos, é outro consumidor que, até a semana passada, estava inadimplente porque se descontrolou nos gastos. Agora ele não acredita no corte dos juros anunciado pelos bancos. "Tenho um pé atrás. Como até a semana passada (retrasada) o juro do cheque especial era de 9% ao mês e agora está em 2%?", questiona o comerciante.

No momento, diz ele, a situação está boa para o consumidor, mas não acha que essa mudança veio para ficar. "Depois os bancos vão aumentando um pouquinho as taxas."

Sem acordo. A cozinheira Marta Elizabeth Alexandre, de 48 anos, não sentiu, na semana passada, boa vontade do banco para renegociar a dívida em atraso. Ela deve R$ 2.210 no cartão de crédito. Marta também desconfia do movimento recente de corte nos juros bancários.

Ela deixou de pagar o cartão de crédito porque perdeu o emprego. Agora, novamente empregada, decidiu quitar a dívida. "Eles propuseram um plano de 36 prestações de R$ 176,28, mas não aceitei."

Segundo ela, não houve acordo por dois motivos. O primeiro foi a sua renda mensal de R$ 950, que não comporta a prestação, já que ela tem despesas de aluguel e alimentação, entre outras. O segundo é que a cozinheira achou a proposta descabida. Afinal, por uma dívida de R$ 2.210 não paga, teria de desembolsar ao final de três anos R$ 6,3 mil se tivesse aceitado os termos da renegociação. "Não acredito no corte dos juros. Você acha que eles vão perder dinheiro? Se eles quisessem cortar juros, teriam resolvido o meu problema agora."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.