Inadimplentes fazem fila no SCPC

Devedores tentam limpar o nome

Marcelo Rehder, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2009 | 00h00

Há pouco menos de dois meses, a advogada paulistana Rosemary da Penha Figueira Menezes, de 44 anos, enviou pelo correio 26 cartas de cobrança de serviços prestados a clientes. Desse total, apenas oito responderam e só dois pagaram o que deviam. Ontem, a advogada esteve no Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), na capital paulista, para tentar limpar o próprio nome. Vítima do calote, ela foi negociar o pagamento de duas dívidas vencidas com a operadora de telefonia Vivo, uma de R$ 1,8 mil e outra de R$ 1 mil. O dinheiro veio do pagamento feito por um dos clientes, preso em Avaré (SP) por tráfico internacional de drogas. Separada, a advogada autônoma arca com as despesas próprias e do filho Tiago Rafael, de 19 anos, universitário. "Como autônoma, sem saber quando o dinheiro vai entrar, é difícil dar conta das despesas do meu filho, de casa e do escritório", relata Rosemary.A proposta feita pela Vivo foi dar um desconto de quase 40% para quitação à vista ou entrada de 30% e o restante parcelado em cinco prestações. Cautelosa, a advogada preferiu fazer as contas em casa antes de aceitar a proposta.No dia em que o Banco Central divulgou que a inadimplência atingiu o nível mais alto desde 2000, o comerciante Jaime José de Lima, de 24 anos, conseguiu sair da lista de devedores. Ao todo, eram dez dívidas não pagas num valor total de cerca de R$ 10 mil. Os credores eram os mais variados: bancos, cartões de crédito e lojas de eletroeletrônicos. "Me apressei em pagar as dívidas porque vou precisar do meu nome limpo para abrir um comércio de autopeças."Rosemary e Lima fazem parte de uma multidão de inadimplentes que todos os dias vai ao centro velho da cidade, à sede do SCPC, para se informar sobre seu cadastro. Segundo a Associação Comercial de São Paulo, dona do serviço de informações de crédito dos consumidores, todos os dias de 2 mil a 3 mil pessoas passam pelos guichês atrás de uma solução negociada para a sua dívida.

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