InBev abre caminho para oferta hostil

Conselho da Anheuser-Busch rejeitou ontem oferta de compra

Nalu Fernandes, NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

27 de junho de 2008 | 00h00

A InBev prepara caminho para uma oferta hostil pela Anheuser-Busch. Ontem, a cervejaria americana, fabricante da Budweiser, anunciou oficialmente que seu conselho de diretores, de forma unânime, determinou que a oferta feita pela InBev para comprar as ações em circulação da companhia por US$ 65 por papel é "financeiramente inadequada e não é do melhor interesse dos acionistas". Mas, também ontem, a InBev comunicou que está buscando um parecer jurídico na corte do Estado de Delaware relativo a caminhos alternativos para dar andamento à oferta, a fim de garantir que os acionistas "preservem sua voz no processo". Na oferta hostil, a empresa compradora negocia diretamente com os acionistas, sem passar pelo conselho.Segundo a InBev, o pedido do parecer à Corte de Justiça de Delaware tem por objetivo confirmar que os acionistas atuando por procuração podem, sob as leis daquele Estado, remover sem ação judicial todos os 13 conselheiros da Anheuser, incluindo os cinco eleitos em 2006.Num comunicado divulgado em seu website, a InBev afirmou que, pela carta-patente da Anheuser-Busch e pela legislação de Delaware, "está claro que os oito membros eleitos depois de 2006 estão sujeitos à remoção sem processo por meio de procuração escrita". O pedido à Corte, disse a InBev, procura confirmar que os eleitos em 2006 agora também estão sujeitos à remoção pelo mesmo mecanismo. O advogado Frank Bottini, que representa acionistas individuais em um processo na Corte Estadual do Missouri, disse ao Estado que a InBev é dona de 100 ações da Anheuser-Busch. E como acionista minoritário pode tentar tirar das mãos dos controladores a decisão sobre a oferta de compra. A estratégia da InBev é se juntar aos outros acionistas para que possam trocar os diretores que rejeitaram sua oferta e fixar o preço final da operação. A InBev declarou que continua comprometida com a oferta em dinheiro de US$ 65 por ação da Anheuser e voltou a lembrar que esse valor representa um prêmio "imediato" de 35% sobre o preço das ações antes do anúncio da oferta. O presidente-executivo da Anheuser, August Busch IV, já havia declarado não ter intenção de vender a empresa. E conseguiu fazer prevalecer sua posição no conselho da companhia. "A proposta da InBev subavalia significativamente os ativos únicos e as perspectivas da Anheuser-Busch", afirmou Patrick Stokes, presidente do conselho. NOVO PREÇOPara analistas, uma eventual elevação da oferta da InBev para algo entre US$ 70 e US$ 75 por ação dificultaria muito para o conselho da Anheuser manter a decisão de recusar a transação. Segundo eles, esgotadas outras alternativas, a InBev tem condições de aumentar a oferta feita, podendo até incluir a AmBev nos planos para uma eventual contra-oferta que pode ser necessária no caso de a americana apresentar um plano de reestruturação. A expectativa do analista do Credit Suisse para o setor de bebidas, Carlos Laboy, é que a oferta caminhe em direção aos US$ 70 por ação. Em 18 de junho, o advogado Frank Bottini disse que os acionistas acreditavam que a "oferta poderia não ser suficiente, e a InBev poderia ter de elevá-la". COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS NEGOCIAÇÃOProposta: A InBev anunciou em 11 de junho uma oferta de US$ 46 bilhões (US$ 65 por ação) pela americana Anheuser-BuschRecusa: Ontem, o conselho da Anheuser rejeitou a oferta, por considerá-a baixa Novo passo: A InBev deve partir para oferta hostil, negociandodiretamente com os acionistas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.