InBrands fica com 100% da dona da marca Richards

Negócio de R$ 135 milhões aumenta a aposta da holding de moda no segmento masculino de alto padrão

FERNANDO SCHELLER, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2011 | 03h03

A holding de moda InBrands anunciou ontem a compra de 100% da Cia. de Marcas, dona das bandeiras Richards, Salinas e Bintang, em um negócio avaliado em R$ 135 milhões. A operação envolve apenas troca de ações. A InBrands passa a deter as três marcas - em contrapartida, a participação da Cia. de Marcas na holding chega a 18,6%. O fundador da Richards, Ricardo Dias da Cruz Affonso Ferreira, passa a fazer parte do conselho de administração da InBrands.

Das três marcas, a mais estratégica para a holding é a Richards, que tem forte presença no segmento masculino e atende às classes A e B. As empresas de moda têm voltado os olhos para esse segmento, já que os homens têm se mostrado mais propensos a investir em roupas e sapatos de alto valor agregado. De acordo com estudo da consultoria Bain & Company, a participação masculina no mercado de luxo vem aumentando. Representava, em 1995, 35% de uma receita de US$ 68 bilhões. Neste ano, a participação chegou a 40% de um total de US$ 181 bilhões.

Segundo o consultor Edson D'Aguano, a Richards se enquadra no padrão de consumo de luxo acessível, procurado pela classe B e por parte da classe A no Brasil. Além disso, a aquisição total da marca - esperada desde o primeiro semestre - mostra uma clara aposta da InBrands no portfólio dedicado aos homens. "O masculino está no DNA deles. E foi por causa disso que eles compraram VR e Mandi", diz.

O movimento em direção ao segmento masculino de alto padrão é um caminho seguido pela Le Lis Blanc, que vai lançar no início do ano que vem a marca Noir - 20 lojas serão abertas em 2012, com campanha de lançamento estrelada pelo ator Matthew McConaughey.

IPO. A Le Lis Blanc, controlada pelo fundo Artesia, chegou à Bolsa em 2008. Nos últimos tempos, virou uma das "queridinhas" dos investidores - seus papéis, que estrearam na BM&FBovespa a R$ 5,85 há três anos, fecharam o pregão de ontem cotados a R$ 28.

Segundo fontes, a compra da Richards pode ser uma forma de a InBrands, fundada por ex-sócios do Banco Pactual, ganhar musculatura para a abertura de capital. A empresa havia programado a oferta inicial de ações para este ano, mas desistiu após a deterioração das perspectivas diante da crise europeia.

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