Incêndio em baterias provoca discussão sobre carros elétricos

Modelo Volt, da GM, tem sido comparado de forma desfavorável ao Leaf, da Nissan, que 'sobreviveu' a tsunami no Japão

NICK BUNKLEY , THE NEW YORK TIMES , O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2011 | 03h09

A Nissan descobriu por acaso valiosas informações relativas à durabilidade do seu modelo de carro elétrico, o Leaf, quando cerca de 25 deles foram destruídos no tsunami que atingiu o Japão em março deste ano.

Nenhum dos carros pegou fogo, e as baterias deles permaneceram absolutamente intactas, protegidas por um impermeável esqueleto de aço e duas outras camadas de proteção que envolvem os módulos de 300 kg.

"Levando-se em consideração a maneira com a qual estes carros foram arremessados por aí e esmagados, acreditamos que este é um ótimo indicador do desempenho do veículo no quesito segurança", disse Bob Yakushi, diretor de segurança dos produtos para a Nissan americana.

A decisão da Nissan de proteger a bateria do Leaf com um invólucro de aço pode ajudar a explicar o motivo pelo qual autoridades americanas encarregadas da segurança automobilística que estão investigando o risco de incêndio após acidentes no caso do Chevrolet Volt não demonstram a mesma preocupação em relação ao Leaf. A General Motors protege as células da bateria do Volt com uma estrutura de aço em forma de T com uma tampa plástica.

A durabilidade e o projeto da bateria do Volt foram questionados depois que dois deles pegaram fogo durante testes realizados pela National Highway Traffic Safety Administration, órgão americano que supervisiona a segurança nas estradas. Os incêndios levaram a agência a abrir uma investigação formal de defeito envolvendo o Volt, um modelo que não foi produzido em massa, mas que traz muita visibilidade à GM, que o apresentou como prova de sua capacidade de liderar a indústria no segmento de alta tecnologia.

Imagem. A NHTSA examinou o Leaf e outros veículos elétricos após o primeiro incêndio ocorrido no Volt, mas disse no mês passado que os testes "não apontaram preocupações de segurança envolvendo outros veículos além do Chevy Volt". Um porta-voz da GM, Robert D. Peterson, disse que a bateria do Volt era "totalmente protegida pela estrutura de aço" e que a empresa escolheu para a tampa do módulo um material que não conduzisse eletricidade.

No entanto, a Ford seguiu a Nissan e vai instalar uma proteção de aço em torno do par de baterias que impulsiona uma versão elétrica do seu modelo compacto Focus, que deve começar a ser fabricada este mês. A decisão relativa à proteção da bateria foi tomada antes de virem à tona os problemas com o Volt.

Apesar de a NHTSA ainda não ter realizado os testes de segurança envolvendo batidas com a versão elétrica do Focus, os executivos da Ford disseram que testes internos não resultaram em danos às células da bateria em si. "Levando-se em consideração o fato de que se trata de uma tecnologia nova, optamos por investir num nível adicional de proteção", disse Derrick Kuzak, vice-presidente de desenvolvimento da produção global da Ford.

Clarence Ditlow, diretor executivo do Centro para a Segurança Automobilística, disse esperar que a GM anuncie um recall do Volt para reforçar a proteção à sua bateria. Como a GM vendeu apenas 6 mil unidades do Volt, esta medida teria apenas a fração do custo de um recall típico, mas o grande problema seria consertar o estrago provocado na imagem da empresa.

"Sempre que alguém lança um veículo alternativo, este apresentará algum tipo de problema", disse Ditlow. "Mas, quando boa parte do sucesso futuro da empresa está associada a uma tecnologia em especial, a ideia é ter a certeza de que tudo saia conforme o planejado, e não foi isto que eles fizeram."

Mary Barra, vice-presidente sênior da GM para o desenvolvimento global de produtos, disse que a empresa estava estudando a necessidade de tornar a bateria do Volt "mais robusta", mas insistiu que o carro, que é vendido há um ano, foi "plenamente desenvolvido".

O Volt era muito elogiado pelos seus proprietários e por aqueles que o experimentaram, mas até mesmo um pequeno defeito pode danificar a imagem da empresa. O site do conservador radialista Rush Limbaugh mostra um Volt destruído pelas chamas, e o congressista republicano Jim Jordan, de Ohio, solicitou uma audiência diante de uma subcomissão para tratar dos problemas com a bateria.

A GM defendeu o carro, destacando que nenhum acidente real resultou num incêndio, mas disse que emprestaria um veículo aos donos do Volt que estivessem preocupados com sua segurança. Trinta e três pessoas aceitaram a oferta, e a GM trabalha para atender proprietários que querem devolver o veículo. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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