MAURICIO DE SOUZA/PAGOS
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Incêndio em Santos e greve de caminhoneiros influenciam e superávit comercial cai em abril

Exportações recuaram 23,2% no mês passado; superávit comercial foi de US$ 491 milhões, abaixo do desempenho em abril de 2014

Eduardo Rodrigues e Lorenna Rodrigues, O Estado de S. Paulo

04 Maio 2015 | 15h22

Texto atualizado às 19h40

A greve dos caminhoneiros e o incêndio que atingiu tanques de combustível no Porto de Santos (SP) contribuíram para a queda nas exportações no mês de abril, na comparação com o mesmo período do ano passado. No mês passado, as vendas ao exterior recuaram 23,2%. Com isso, o saldo comercial brasileiro registrou um superávit de US$ 491 milhões - resultado de exportações de US$ 15,156 bilhões e importações de US$ 14,665 bilhões. Em abril do ano passado, a balança havia tido um superávit de US$ 506 milhões.

De acordo com o diretor de Estatística e Apoio à Exportação do Ministério do Desenvolvimento, Herlon Brandão, as chuvas, que impediram principalmente o embarque de mercadorias a granel, também influenciaram o resultado, assim como a safra tardia da soja neste ano. “Esse é o segundo mês com superávit este ano, o que era esperado no comportamento sazonal da balança comercial.”

Para Brandão, apesar da safra recorde de soja e da estimativa de se exportar um volume inédito da commodity este ano, o aumento do volume embarcado não deverá ser suficiente para compensar a queda de preço do grão no mercado internacional. Em relação a abril do ano passado, o preço da soja caiu 32,7%.

“O minério de ferro também deve ter volume recorde exportado em 2015, mas a queda de preço dessa commodity também não será compensada pelo volume vendido”, acrescentou. No caso do minério, a queda de preço é de 51,6% na comparação anual. “O preço do minério de ferro está melhorando mas, ao persistir a recuperação, vamos sentir a melhora (na balança) só em junho”, completou.


Dólar. Apesar de comentar que a valorização do dólar em relação ao real tem efeito positivo para os exportadores brasileiros, Brandão afirmou que o ministério ainda não tem dados suficientes para estimar o tamanho desse impacto. Ele destacou que a volatilidade da moeda ainda atrapalha em parte o setor exportador. “É necessária uma estabilidade no câmbio para que os exportadores tenham previsibilidade. No agregado ainda não é possível perceber efeito do câmbio nas exportações”, completou.

Mesmo nesse cenário, o ministério continua apostando em um superávit comercial em 2015. No acumulado do ano até o fim de abril, a balança continua no vermelho, com déficit de US$ 5,066 bilhões. As exportações somaram US$ 57,931 bilhões nos primeiros quatro meses desse ano e as importações totalizaram US$ 62,997 bilhões. No ano passado, o déficit no primeiro quadrimestre foi maior, de US$ 5,573 bilhões.

Houve queda nas exportações para todos os principais blocos econômicos no primeiro quadrimestre. O recuo foi mais acentuado para a Ásia (23,8%), principalmente por conta da queda de 31,6% nas vendas para a China. O resultado para o país asiático foi influenciado pela queda no preço do minério de ferro e das vendas de soja em grão.

Até abril, a balança com a China é deficitária em R$ 2,527 bilhões. “No comércio com a China, tradicionalmente o Brasil é superavitário, mas tem déficits sazonais nos primeiros meses do ano. A tendência é ter superávit ao longo dos próximos meses do ano, quando a soja entrar de maneira mais significativa”, espera Brandão. 

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