Iara Morselli
O presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher Iara Morselli

Presidentes de Itaú e Bradesco alertam para perigo ambiental, enquanto Bolsonaro vê 'desinformação'

Embaixadas do Brasil receberam carta de 30 instituições financeiras que ameaçam tirar seus recursos do País, caso o governo não trabalhe para deter o desmatamento

Aline Bronzati e André Ítalo, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2020 | 12h35
Atualizado 23 de junho de 2020 | 18h37

Correções: 23/06/2020 | 18h37

A preocupação com a forma como o Brasil está lidando com a questão ambiental ganhou espaço no debate dos principais banqueiros brasileiros, incluindo presidentes do Itaú e do Bradesco, mesmo em um 'palanque virtual', onde o assunto chave deveria ser tecnologia bancária. O alerta para consequências silenciosas e que podem se prolongar além dos estragos da própria pandemia ocorre em meio à repercussão do tema junto ao olhar estrangeiro enquanto o presidente Jair Bolsonaro vê apenas 'desinformação'.

A questão ambiental é, na opinião do presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, o principal 'perigo' que ameaça o Brasil é o ambiental. "No momento em que a sociedade se percebe frágil, a gente deve olhar para outros perigos. As consequências ambientais podem até vir de uma maneira mais lenta do que as da saúde como a covid-19, mas são mais duradouras e difíceis de reverter", avaliou o executivo, durante debate no CIAB, feira de tecnologia bancária, promovida pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e que teve a sua primeira versão virtual.

O presidente do maior banco da América Latina, com quase R$ 2 trilhões em ativos totais, alertou para o aumento dos incêndios na Amazônia no início deste ano, enquanto o Brasil tenta combater a propagação do novo coronavírus - é o terceiro maior país em mortes por covid-19. "Estamos vendo neste início ano incêndios 60% maiores do que foram no ano passado e nós precisamos enquanto sociedade nos mover contra isso", disse ele, acrescentando que os bancos têm um "peso importantíssimo" no tema.

"Todo mundo falava de sustentabilidade, de problema com o Planeta, de aquecimento global, reflorestamento, derrubada, de qualidade do ar, da água. Todo mundo falava sobre isso, mas de fato nós temos de reconhecer que fizemos muito pouco em relação a isso", observou o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari.

Para o executivo, a pandemia alertou o mundo sobre a maneira como todos estavam vivendo até então. "Parece que o Planeta deu um grito e falou: vocês têm a chance de recuperarem o que estão fazendo", disse Lazari.

O alerta vem no mesmo dia de uma ameaça da Europa. Embaixadas do Brasil no continente europeu receberam uma carta de um grupo formado por 29 instituições financeiras, com US$ 3,7 trilhões em ativos totais, e que ameaçam retirar seus recursos do País caso o governo Bolsonaro não atue para conter o desmatamento na Amazônia. O documento, que ganhou espaço no jornal britânico Financial Times, encorpou um coro de críticas negativas às políticas ambientais do governo.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), contudo, credita o fato de a imagem do País não estar 'muito boa' em relação à questão ambiental por 'desinformação'. "Nós sabemos que nossa imagem não está muito boa aí fora por desinformação", afirmou ele, ontem, alegando que o Brasil é o País que "mais preserva". Como de costume, rebateu as avaliações negativas que seu governo tem recebido sobre a questão ambiental. Segundo ele, há país estrangeiro que critica o Brasil não tendo "um palmo de mata ciliar".

Segundo o presidente do BTG Pactual, Roberto Sallouti, a agenda ASG, sigla para ações ambientais, sociais e de governança, não é mais 'opcional'. "É algo que se nós não incorporarmos, os nossos clientes vão escolher outros bancos porque essa é uma demanda da sociedade. Acho que como setor temos muito que mostrar", avaliou ele, durante debate com outros banqueiros no CIAB.

Sallouti fez uma 'provocação' aos demais presidentes de bancos e defendeu uma ação coletiva. Segundo ele, o setor bancário é o que tem mais agenda ASG no País. Nesse sentido, o presidente do BTG sugeriu aos bancos publicarem um balanço consolidado das ações ambientais, sociais e de governança. Bracher, do Itaú, concordou com o concorrente e avaliou como 'importante' a iniciativa.

Algumas instituições financeiras no Brasil já publicam o balanço ASG (ambiental, social e governança). No entanto, como a iniciativa não é mandatória nem todas a fazem. Ao Estadão/Broadcast, a Febraban informou que os bancos estão revendo a norma de autorregulação e que esse ponto pode ser trabalhado no âmbito dos compromissos do setor bancário.

Correções
23/06/2020 | 18h37

A reportagem tinha informado que as embaixadas do Brasil na Europa receberam uma carta de um grupo formado por 29 instituições financeiras, com US$ 3,7 bilhões em ativos totais e que ameaçaram retirar seus recursos do País. Na verdade, o valor correto é de U$ 3,7 trilhões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Investidores ameaçam sair do Brasil se destruição da Amazônia não parar, diz Financial Times

Carta, de grupo formado por quase 30 instituições financeiras em todo o mundo que gerenciam mais de US$ 3,7 trilhões, foi entregue ao governo brasileiro, segundo publicou o jornal britânico

Célia Froufe, correspondente, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2020 | 09h04

LONDRES - Um grupo formado por quase 30 instituições financeiras em todo o mundo exige que o governo brasileiro freie o crescente desmatamento no País, segundo publicou nesta terça-feira, 23, o jornal britânico Financial Times. Para o grupo, a continuidade da prática criou "uma incerteza generalizada sobre as condições para investir ou fornecer serviços financeiros ao Brasil". 

A carta foi entregue ao governo brasileiro na terça-feira em meio às crescentes as preocupações de que os investidores possam começar a desinvestir da maior economia da América Latina se o governo de Jair Bolsonaro falhar em conter a destruição ambiental.

"Como instituições financeiras, que têm o dever fiduciário de agir no melhor interesse de longo prazo de nossos beneficiários, reconhecemos o papel crucial que as florestas tropicais desempenham no combate às mudanças climáticas, protegendo a biodiversidade e assegurando serviços ecossistêmicos", afirmou a carta, assinada por 29 instituições financeiras que gerenciam mais de US$ 3,7 trilhões em ativos totais. Os signatários incluem o Legal & General Investment Management e a Sumitomo Mitsui Trust Asset Management.

“Considerando o aumento das taxas de desmatamento no Brasil, estamos preocupados com o fato de as empresas expostas a desmatamento potencial em suas operações e cadeias de suprimentos no Brasil enfrentarem uma dificuldade crescente de acessar os mercados internacionais. Também é provável que os títulos soberanos brasileiros sejam considerados de alto risco se o desmatamento continuar”, escreveram, conforme reproduziu o jornal.

O FT salientou que o desmatamento na floresta amazônica aumentou no Brasil desde a eleição de Bolsonaro, apresentado como um ex-capitão do exército de direita, que apoia a abertura das terras protegidas à atividade comercial. Segundo a publicação, nos primeiros quatro meses deste ano, uma área com o dobro do tamanho da cidade de Nova York foi destruída com madeireiros ilegais e garimpeiros aproveitaram a diminuição da fiscalização durante a pandemia de coronavírus para derrubar florestas. A terra é geralmente convertida em pasto para criar gado, continua o diário.

A reportagem enfatizou que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, também alimentou controvérsia quando foi filmado durante uma polêmica reunião ministerial que foi liberada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) dizendo que o governo deveria tirar proveito do foco da mídia na pandemia da covid-19 para "mudar e simplificar" as regras ambientais.

“Queremos continuar investidos em empresas brasileiras, mas é preciso haver um uma regulação estável e previsível e arcabouço ambiental e políticas que estão alinhados com a sustentabilidade que trarão uma mudança de curso”, disse Jan Erik Saugestad, executivo-chefe da Storebrand Asset Management, um grupo norueguês que tem US$ 80 bilhões sob sua gestão. “Eventualmente, se não virmos esse tipo de mudança, o risco de permanecer investido poderá chegar a um ponto em que não permaneceremos investidos", continuou.

Frigoríficos

Um gerente de portfólio de um grupo europeu de gerenciamento de ativos, que assinou a carta, disse: “Não é apenas uma ameaça. Consideraríamos desinvestir. Acreditamos que o Brasil pode enfrentar desafios econômicos estruturais se não ajustar seu curso de ação.” Os investidores, continuou o FT, disseram estar particularmente preocupados com a indústria brasileira de frigoríficos, que corre o risco de ser excluída dos mercados internacionais por causa de seu suposto papel no desmatamento. A JBS do Brasil tem sido repetidamente acusada por ambientalistas de comprar vacas de terras desmatadas na Amazônia.

No mês passado, mais de 40 empresas europeias, incluindo a maior rede de supermercados britânica Tesco e a varejista Marks and Spencer, alertaram que iriam boicotar produtos brasileiros se o governo não agir em relação ao desmatamento. “O maior medo é sempre que nossos ativos percam valor. Isso pode ser causado por empresas que perdem o acesso ao mercado, mas também devido a danos à reputação”, afirmou o gerente de portfólio europeu.

O FT lembrou que, no ano passado, o braço de administração de ativos da Nordea suspendeu as compras de títulos do governo brasileiro após incêndios na Amazônia causados por madeireiros e fazendeiros que limpavam terras desmatadas. Gabriella Dorlhiac, diretora executiva da Câmara de Comércio Internacional de São Paulo, disse que essas campanhas têm "um impacto muito real nas empresas daqui". “Não é apenas a perda de contratos. Veja o acordo comercial UE-Mercosul. Há uma ameaça de que algo que levou 20 anos para ser finalizado seja colocado em risco.” O acordo comercial UE-Mercosul foi acordado pelos dois blocos no ano passado, mas fez pouco progresso em direção à ratificação.

"O governo brasileiro deve tomar medidas para reverter urgentemente as taxas crescentes de desmatamento", disse Jonathan Toub, gerente de fundos de ações da Aviva Investors. “Em nossas carteiras de ações, tivemos um viés positivo para o Brasil no início do ano. No entanto, erros de política aumentaram nossas preocupações sobre as prioridades do governo. Reduzimos nossa exposição a ativos brasileiros nos últimos meses.” 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

'Insistimos que Brasil não deixe PL da grilagem passar', diz CEO do Storebrand Asset Management

Jan Erik Saugestad disse que, além do aumento do desmatamento, uma das maiores preocupações dos investidores estrangeiros é em relação à aprovação do Projeto de Lei 2.633/2020

Entrevista com

Jan Erik Saugestad

Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2020 | 16h45

LONDRES — Coletor das assinaturas de 30 instituições financeiras que querem falar diretamente com o governo para que seja mais enérgico em relação às questões ligadas à produção na Amazônia, Jan Erik Saugestad, CEO do Storebrand Asset Management, um grupo norueguês que gerencia US$ 80 bilhões, disse que além do aumento do desmatamento, uma das maiores preocupações dos investidores estrangeiros é em relação à aprovação do Projeto de Lei 2.633/2020, conhecido como o "PL da grilagem". "Fortemente insistimos ao governo que não deixe esse projeto passar da forma como está", afirmou ele em entrevista por vídeo ao Broadcast.

Para o executivo, essa é a parte que falta para os investidores ficarem ainda mais reticentes com o Brasil. Inicialmente, ele reuniu 29 instituições que somavam US$ 3,75 trilhões em ativos no total para pedir reuniões com representantes do governo brasileiro. Agora, esse volume já ultrapassou a marca de US$ 4,1 trilhões e o documento segue em aberto para mais adesões. Há uma ameaça implícita no documento de deixarem de investir no País se questões ligadas ao meio ambiente não forem freadas. ?Claro que será muito negativo se esse projeto passar porque legaliza a ocupação e encoraja mais o desmatamento?, disse.

Perguntado sobre se vê deturpação das notícias que chegam ao exterior sobre o Brasil, como argumenta o presidente Jair Bolsonaro, Saugestad afirmou que conta com informações de várias frentes sobre o País. ?Há evidência suficiente sobre o desmatamento, sobre o seu crescimento nos últimos anos, de que se está indo pelo caminho errado, então nos sentimos bastante confortáveis de que este é o caso e que é preciso regulação para proteger a floresta tropical?, afirmou. A empreitada do setor financeiro europeu agora se segue a duas ações semelhantes já tomadas no passado pelo varejo. Leia abaixo a entrevista:

Broadcast - Por que o senhor decidiu formar o grupo e mandar a carta ao governo brasileiro?

Jan Erik Saugestad - As instituições financeiras e os investidores que se juntaram a nós estão profundamente preocupados com o aumento do desmatamento no Brasil visto no ano passado. Trabalhamos com interesse de longo prazo e, por isso, sabemos que proteger as florestas tropicais é importante não apenas por causa da mudança climática, mas porque temos que estar apoiados em uma economia sustentável.

Broadcast - E a pandemia de covid-19 deixou isso mais claro, eu imagino.

Saugestad - Uma recuperação sustentável da economia a partir da covid-19 inclui uma dimensão social, isso é importante. Normalmente, tendemos a nos engajar diretamente com as empresas, como o esforço feito no ano passado para combater o desmatamento com o apoio de mais de 250 instituições financeiras à iniciativa. Temos iniciativas em andamento que cobrem a produção de soja e gado. Mas é o governo que faz as políticas e o arcabouço regulatório com as quais as companhias trabalham. Então, para nós que investimos em empresas, também é importante que as políticas sejam previsíveis e alinhadas com o que acreditamos ser um desenvolvimento sustentável. Desta vez, decidimos não fazer isso de forma indireta com as companhias, mas, sim, de forma direta com perguntas, num diálogo direto com o governo.

Broadcast - Essa estratégia está sendo adotada apenas em relação ao Brasil ou há outros países também no foco?

Saugestad - No nosso trabalho de engajamento sempre buscamos trabalhar com governos, empresas e o capital. Para obtermos sucesso, precisamos que estas forças trabalhem juntas e na direção certa. Normalmente, trabalhamos com os governos mais indiretamente, mas esta é uma questão que está em ascensão e há desafio dos governos em outras áreas, como a taxa de emissão de carbono, a regulação para carvão, apenas para mencionar algumas.

Broadcast - Gostaria de confirmar se o volume administrado por esses fundos que assinam a carta é de US$ 3,75 trilhões e saber que parte dele está alocada no Brasil.

Saugestad - Sobre o Brasil... adoraria ter esse número, mas não tenho.... Até porque, desde que fizemos o anúncio, outros investidores quiseram fazer parte dele - e ainda está aberto - e agora temos mais de US$ 4,1 trilhões.

Broadcast - Mas ter esse número do investimento no Brasil não seria uma arma importante de convencimento? Não poderia servir como um choque para o governo já que dizem que podem deixar o País?

Saugestad - Mas não tenho... Na iniciativa feita no ano passado, como te disse antes, alcançamos US$ 17 trilhões de capital.

Broadcast - Algumas pessoas avaliam que pode ser um blefe dos investidores dizerem que vão sair do Brasil. O que o senhor diria para essas pessoas?

Saugestad - Assim como escrevemos na carta, gostaríamos de permanecer com os investimentos no Brasil. É muito bem-vindo o desenvolvimento econômico, mas é preciso proteger o meio ambiente. Não acreditamos que essas coisas sejam excludentes, e temos um dever fiduciário.

Broadcast - O presidente Bolsonaro sempre diz que a imagem do Brasil não é boa no exterior porque as notícias são distorcidas. O senhor acredita que está bem informado sobre o País? O senhor considera que conhece o Brasil o suficiente para tomar essa decisão?

Saugestad - Claro que sempre podemos aprender mais e há sempre muitas incertezas em tentar prever o futuro. Mas há evidência suficiente sobre o desmatamento, sobre o seu crescimento nos últimos anos, de que se está indo pelo caminho errado, então nos sentimos bastante confortáveis de que este é o caso e que é preciso regulação para proteger a floresta tropical. Há muitos sinais, alertas de especialistas em quem confiamos. Por exemplo: uma das consequências da covid-19 é que a estimativa de emissão de gases CO2 no mundo deve ter caído cerca de 7% e, no Brasil, a estimativa é de aumento de 20% este ano por causa do desmatamento.

Broadcast - Hoje em dia, muitas companhias já usam o padrão internacional de ESG. Esta não seria a melhor forma de o setor financeiro escolher em qual empresa investir ou não em termos ambientais?

Saugestad - Se você olhar os investimentos sustentáveis e o investimento ESG, é preciso ver as três dimensões. Você vai querer investir mais em companhias que têm soluções, produtos, serviços que estão mudando sua atuação para a direção correta. Essa é uma megatendência e o mercado produz essas companhias que são altamente atrativas. A segunda perna do investimento sustentável é de empresas que estão envolvidas em práticas que o risco de investir nelas é muito elevado, e estas são as companhias que basicamente excluímos. E temos, então, a maioria das empresas, que estão buscando melhorar suas operações. Claro que algumas vão se desenvolver bem, outras vão se recusar a progredir e, eventualmente, vão se transformar em empresas de alto risco.

Broadcast - Acho que o foco agora do investidor estrangeiro está no PL da Grilagem, que está para ser votado no Congresso. Se for aprovado, o risco de investidores estrangeiros saírem do Brasil é maior?

Saugestad - Acho que esta é a parte que falta no quebra-cabeças. Claro que será muito negativo se esse projeto passar porque legaliza a ocupação e encoraja mais o desmatamento. Não há dúvida de que isso será muito negativo. E temos que ter a fotografia completa para tomar nossas decisões. Fortemente insistimos ao governo que não deixe esse projeto passar da forma como está.

Broadcast - Tenho certeza que o senhor soube de uma iniciativa similar de uma carta enviada pelo setor de varejo na Europa para o governo com as mesmas preocupações. Essa é uma onda?

Saugestad - Questões relacionadas à sustentabilidade estão aumentando e acho que o papel da floresta tropical também se tornou mais difundido, conhecido. A mudança climática é um tema, e proteger a biodiversidade seja talvez ainda mais importante.

Broadcast - Os senhores pediram reuniões virtuais com embaixadores de vários lugares, como Oslo, Washington, Tóquio... O que realmente vocês esperam desses encontros?

Saugestad - Pedimos reuniões com representantes do governo em vários países (Noruega, Suécia, Dinamarca, Reino Unido, França, Holanda, França, Japão, EUA e Brasil). Queremos expressar o motivo pelo qual estamos preocupados e deixar claras nossas expectativas e o que esperamos que eles façam. Quem sabe não será uma interação positiva? Como eu disse, no passado trabalhamos com companhias e soubemos que várias delas estão preocupadas em perder seus investimentos institucionais e internacionais. E queremos ir ao governo dizer: vocês precisam nos ajudar a colocar as políticas no lugar e as direções em termos de regulação que trarão conforto para os investidores internacionais. Mas eu diria que isso não vai acontecer (risos)...

Broadcast - Hoje, num evento local, a ministra da Agricultura, Teresa Cristina, disse que é o Brasil que solicita que a agricultura mundial adote práticas rigorosas de sustentabilidade. Como o senhor vê esse pedido?

Saugestad - Cada país tem que trabalhar com suas questões e elas mudam de um lugar para o outro. Mas claramente no Brasil o desmatamento é um ponto-chave dado o fato de que a floresta tropical é um elemento muito importante para o mundo.

Broadcast - Sim, mas pode ser vista como um alvo para o lobby internacional também, não?

Saugestad - Para lidar com problemas e desafios globais, acordos globais, políticas e regulações globais são sempre saudáveis, mas é difícil chegar a um consenso porque cada país tem que agir conforme o que é capaz de fazer.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.