Incentivo ao consumo acabará até o fim do ano, avisa Mantega

Estímulos fiscais ao consumo, como a redução do IPI para carros e eletrodomésticos da linha branca, vão acabar

LUCINDA PINTO, Agencia Estado

11 de setembro de 2009 | 13h30

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que os estímulos fiscais ao consumo, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os setores automotivo e de eletrodomésticos da linha branca, vão acabar até o final do ano. Isso porque, segundo ele, a economia "está deslanchando e pode andar com as próprias pernas". Mantega afirmou ainda que a demanda vai ser crescente nos próximos meses e que as empresas começam a investir porque ainda há vários estímulos fazendo efeito na economia.

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"O efeito da redução da taxa de juros ainda se faz sentir na economia e esse efeito ainda vai durar alguns meses por causa da defasagem do impacto das decisões de política monetária". Mas, segundo ele, o estímulo principal na economia vem do crédito. A expansão do crédito é mais lenta, mas a reconstituição acontece em níveis satisfatórios.

Segundo ele, a taxa de juros cobrada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é de 4,5% ao ano, a mais baixa dos últimos anos, e as taxas ao consumo também estão menores. "Os bancos públicos estão oferecendo taxas menores e os privados também estão reduzindo seus spreads. Há um estímulo monetário sobre a economia", disse.

Situação fiscal

Mantega afirmou que o aumento de gastos para o combate da crise financeira "não levará o Brasil ao endividamento". Segundo ele, a dívida do Brasil vai aumentar 2% em 2009 ante 2008, enquanto nos Estados Unidos esse aumento deve ser de 50%. "O Brasil vai sair da crise rapidamente, porém, com uma situação fiscal melhor que outros. Nosso déficit será um dos menores do G-20. Saímos da crise com situação fiscal forte ao contrário de outros, que sairão menos fortes".

As declarações foram feitas ao comentar o desempenho do PIB brasileiro no segundo trimestre, divulgado esta manhã. Segundo ele, o Brasil vai destinar de 1% a 1,5% do PIB em 2009 para estimular a economia. "Outros governos estão gastando muito mais. O nosso resultado é melhor, porque gastamos menos e crescemos mais", acrescentou.

Mantega afirmou que o crescimento do PIB do segundo trimestre, de +1,9% na margem, foi mais forte do que o da Índia no mesmo período e da Rússia. "Apenas a China e alguns países asiáticos tiveram crescimento melhor do que o nosso", comparou.

Ele endossou que o desempenho da economia brasileira no segundo trimestre foi puxado pela expansão da indústria e do consumo das famílias, ambos com alta de 2,1% na margem. Ele observou que o consumo das famílias vem se mostrando muito positivo e "é a grande força do País". Segundo ele, o consumo no País não chegou a registrar queda durante a crise, apenas desaceleração.

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