Incentivos devem amenizar resultado negativo da indústria de SP em 2012

Fiesp avalia que medidas lançadas pelo governo federal já surtem efeito

Beatriz Bulla, da Agência Estado,

29 de novembro de 2012 | 13h45

As medidas lançadas pelo governo federal durante o ano para estimular o crescimento econômico já surtem efeitos na indústria de transformação paulista e devem diminuir o resultado negativo do setor no fechamento do ano, de acordo com a avaliação do diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini. Até outubro, o Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria registrou queda de 5% ante igual período de 2011. Na comparação mensal, contudo, o indicador avançou 0,6%, na série com ajuste sazonal ante setembro e 5,2% na série sem ajuste.

A previsão da Fiesp é de que o atividade na indústria transformação paulista termine o ano com queda de 4%. Até a metade do ano, a previsão era de uma queda de 5%, revisada em outubro para recuo de 4,5%.

"Temos uma sequência de medidas que já entraram em ação e estão dando efeito. São várias coisas juntas", disse Francini, mencionando o reflexo da redução da taxa básica de juros ao longo do ano, diminuição do spread bancário, o atual nível do câmbio, desonerações de folha de pagamento e estímulos aos setores automobilístico e linha branca. "Esse conjunto de medidas deu base à reação ocorrida ainda em 2012", afirmou.

A previsão da Fiesp para a indústria de transformação nacional é de queda de 2,5% em 2012 e alta de 2,8% em 2013. De acordo com Francini, além da continuidade dos efeitos das medidas do governo, 2013 será beneficiado pela entrada em vigor de medidas de combate à guerra dos portos e pela extensão da desoneração da folha de pagamentos de alguns setores.

"Teremos um ano de 2013 melhor que o de 2012, que encerramos com desejo de esquecer", disse o executivo.

Confiança

A confiança dos empresários industriais paulista mostrou estabilidade em novembro ante outubro. De acordo com  o diretor do Depecon, a Pesquisa Sensor da Fiesp mostra que os estoques estão se aproximando do equilíbrio. "O resultado do estoque saiu de 40,8 pontos em setembro para 46,7 pontos em novembro e está finalmente se normalizando", disse.

Francini apontou a alta do resultado do item investimento (de 50,7 pontos em outubro para 58,5 em novembro) como um dos destaques da pesquisa. "Apesar do número significativo para o investimento, o dado mostra certa volatilidade", afirmou. De acordo com Francini, a alta nos investimentos está ligada à dúvida quanto à prorrogação do PSI Finame, programa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que vence no fim do ano e que teria acelerado as vendas de máquinas e equipamentos.

O resultado do item vendas, por sua vez, é preocupante, de acordo com Francini, já que o indicador registrou queda de 55,9 pontos em outubro para 51,5 pontos em novembro. "O futuro imediato não está sendo visto com grande grau de otimismo quanto à perspectiva de mercado e vendas", disse o diretor.

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