Incentivos fiscais não convencem siderúrgica coreana

A iniciativa do governo brasileiro de anunciar, na semana passada, um pacote de incentivos fiscais para investimentos produtivos orientados para a exportação não chegou a convencer por completo a siderúrgica coreana Posco a construir uma usina no Maranhão. Mas, pelo menos, levou a empresa a reavaliar sua tendência a optar pela Índia, em vez do Brasil. Amanhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai assistir à assinatura de um memorando no qual a Posco se comprometerá a estudar a viabilidade dos seus investimentos no Maranhão e também de um acordo para a ampliação da capacidade de produção da parceria que mantém com a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) em Vitória (ES) desde os anos 90, a Kobrasco.Segundo o embaixador Mário Vilalva, diretor do Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty, a chamada "MP do Bem" gerou dúvidas sobre o investimento da Posco na Índia, que era dado como certo na semana passada, e recriou as possibilidades de sua destinação ao Brasil. Ainda não encaminhada ao Congresso, a MP define a suspensão do recolhimento do PIS/Cofins por cinco anos para os novos investimentos em indústrias que contem com 80% da produção orientada para o mercado externo. Essa foi uma iniciativa tocada às pressas pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, e que, na semana passada, recebeu o aval do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e do presidente Lula, antes do embarque para a Coréia.Ainda não está definido, entretanto, se esse incentivo fiscal vai beneficiar também a ampliação de investimentos, como é o caso do aumento da produção da Kobrasco. Atualmente, a companhia produz 4,5 milhões de toneladas anuais em Vitória, mas deverá elevar esse volume para 6,0 milhões de toneladas. Além desses dois acertos, o presidente Lula ainda presenciará à assinatura do compromisso da coreana Kepco de investir US$ 1,5 bilhão na geração, transmissão e distribuição de energia elétrica no Brasil por um período inicial de sete anos. O Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) igualmente firmarão acordos com o Eximbank coreano.Essa cerimônia se dará amanhã às 18 horas (6 horas, em Brasília), logo depois do discurso do presidente Lula no encerramento do seminário "Brasil-Coréia: Oportunidades de Negócios". A programação oficial prevê o desembarque no presidente Lula às 21h50 de hoje (9h50, horário de Brasília) na Base Aérea de Seul. Amanhã pela manhã, ele participará das cerimônias de abertura do 6º Fórum Global sobre a Reinvenção do Governo, organizado pelas Nações Unidas, e da Exposição Internacional de Inovação.Turma da MônicaEm seguida, o presidente manterá um roteiro prosaico. Primeiro, receberá o sindicalista Lee Soo-hoo, presidente da Confederação dos Sindicatos Coreanos. Depois, fará uma oferenda floral no túmulo do soldado desconhecido e, por fim, posará para os fotógrafos ao lado de Si-Bum Kim, responsável pela divulgação na Coréia da Turma da Mônica, quadrinhos do brasileiro Maurício de Souza. Sua programação deverá terminar com um jantar oferecido pelo presidente coreano, Roh Moo-Hyun, aos participantes do fórum das Nações Unidas.

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