Incerteza e medo devem marcar reunião em Davos

Programa do evento deste ano retrata preocupação com os rumos da economia global.

Da BBC Brasil, BBC

23 de janeiro de 2008 | 06h25

O Fórum Econômico Mundial, que desde 1971 reúne na cidade de Davos empresários, acadêmicos, autoridades, ativistas e artistas de vários países para debater os principais problemas que afetam o mundo, inicia nesta quarta-feira seu encontro anual em clima de apreensão e de dúvida sobre o rumo da economia mundial nos próximos meses.O clima de pessimismo provocado pelas turbulências enfrentadas pela economia americana, que ameaçam contaminar o restante do mundo, deve dar o tom nos cinco dias de discussões na estação de esqui suíça. Em um estudo divulgado pelo Fórum Econômico Mundial há duas semanas e que deve servir de base para os debates em Davos, especialistas dizem que o mundo enfrenta o maior nível de incertezas sobre o futuro, no médio e curto prazo, em uma década.O relatório, chamado Global Risks 2008 (Riscos Globais 2008), diz que, "a incerteza se concentra em como a economia global vai responder à disseminação da crise de liquidez de 2007".O próprio programa do evento neste ano retrata essa preocupação com os rumos da economia global, com várias sessões dedicadas a discutir temas relacionados à crise nos Estados Unidos e suas conseqüências para o resto do mundo."O programa do fórum certamente reflete essas preocupações", disse à BBC Brasil Emílio Lozoya, diretor-associado e chefe do departamento de América Latina do Fórum Econômico Mundial.Para Lozoya, é difícil prever se haverá um clima generalizado de pessimismo com os rumos da economia mundial durante o evento deste ano, mas a questão certamente estará no centro dos debates, já que o programa é pensado para refletir as questões que afligem atualmente o mundo dos negócios, as sociedades e os governos de todo o mundo.RespostasSegundo ele, os participantes do fórum tentarão chegar a responder questões tais como se os Estados Unidos realmente caminham para uma recessão, se essa eventual recessão contaminaria o resto do mundo e se, em caso de contaminação, os grandes países emergentes, como Brasil, China, Índia e Rússia, poderiam continuar crescendo e eventualmente compensar a desaceleração da economia nos países desenvolvidos.O possível pessimismo nos debates deste ano contrasta com o forte otimismo e a euforia que vinham dominando o fórum nos últimos anos, graças à forte expansão da economia mundial.Além dos problemas econômicos, o documento-base para os debates deste ano também alerta para riscos geopolíticos, principalmente para uma possível escalada nas tensões com o Irã e para as preocupações relacionadas à integridade de países como Iraque e Afeganistão.Regionalmente, os autores alertam para um pequeno risco de colapso de algum governo frágil na América Latina que possa espalhar incertezas políticas e econômicas pela região.O Global Risks 2008 também diz que a incerteza nessas áreas pode ter um impacto negativo em outras questões importantes, como o combate ao aquecimento global.ParticipantesO Fórum Econômico Mundial deste ano reunirá mais de 2.500 participantes de 88 países. A maioria dos participantes é formada por empresários, mas o encontro também contará com a presença de 27 chefes de Estado e 113 ministros.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participou de três dos últimos cinco encontros, não comparecerá neste ano. O único chefe de Estado latino-americano será o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe.Entre as autoridades brasileiras, estarão em Davos o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.A lista de participantes brasileiros também contará, entre outros, com o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli e o ex-ministro do Desenvolvimento Luiz Fernando Furlan.Em seu discurso durante a apresentação do programa deste ano, na semana passada, o fundador e diretor-executivo do Fórum, Klaus Schwab, disse que "a combinação única dos principais líderes empresariais e políticos do mundo, com os chefes das mais importantes ONGs do mundo, líderes religiosos, culturais e da mídia, nos permitirá analisar os problemas que o mundo enfrenta de uma maneira sistemática e com vistas a atender às principais questões que enfrentamos"."O encontro anual dará a todos nós uma chance de entender e desenvolver a agenda global para o próximo ano e além, servindo à sociedade global ao dar sentido a um mundo em rápida mudança e estabelecer uma colaboração e inovação que beneficie a todos nós", afirmou Schwab.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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