Incerteza explica o recuo do investimento industrial

Caíram quase ininterruptamente, nos últimos cinco anos, os investimentos das empresas, segundo o levantamento Investimentos na Indústria, da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em 2010, 89,6% das 592 empresas consultadas fizeram investimentos, porcentual que diminuiu para 71,8% - 17,8 pontos porcentuais a menos - em 2014. E, das que investiram, apenas 41,4% o fizeram conforme haviam planejado.

O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2015 | 02h04

Há uma correlação entre o comportamento dos investimentos industriais e a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que reflete o conjunto dos investimentos do País. Entre os terceiros trimestres de 2010 e de 2014, essa taxa declinou de 19,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para 17,3% do PIB, o que corresponde a uma diminuição de investimentos da ordem de R$ 210 bilhões, calcula a consultoria do economista Alexandre Schwartsman.

No caso da indústria, esgotados os estímulos oficiais ao consumo, é da compra de máquinas e equipamentos e da construção de novas fábricas que a economia passa a depender para voltar a crescer, sem depender de mais importações, ou seja, com aumento da oferta interna.

Tampouco para este ano as perspectivas são favoráveis: apenas 69,3% das companhias pretendem investir, segundo a CNI. Há uma queda de 21,8 pontos porcentuais em relação às companhias que tinham a intenção de investir em 2011 (91,1%). E 87,2% das indústrias entendem que sua capacidade instalada basta para atender à demanda.

Em geral, as indústrias só pretendem continuar projetos em curso - a interrupção pode implicar custos de capital e de mercado elevados. Em 2014, só 30,6% das companhias entrevistadas pretendiam investir em novos projetos.

A frustração dos investimentos foi determinada por inúmeras razões, tais como reavaliação da demanda ou da ociosidade, crédito difícil, juros altos, dificuldades burocráticas ou aumento inesperado dos custos previstos, entre outras. Mas o maior peso foi o da incerteza econômica, determinante para 72,9% dos entrevistados. E, em 2015, a incerteza econômica é o principal risco ao investimento, segundo 77,4% das empresas (em 2014, esse porcentual foi de 60,9%).

A pesquisa da CNI justifica o esforço do ministro Joaquim Levy para convencer as pessoas de que a economia será estabilizada, como passo inicial para reconquistar a confiança das empresas, que se traduzirá em mais investimentos.

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