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Incerteza política ameaça acordo entre Mercosul e UE

Em Bruxelas, negociadores admitem que processo, que já leva 18 anos, está emperrado

Jamil Chade / Genebra, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2018 | 06h04

GENEBRA – Incertezas políticas na Europa se transformam em ameaças para o acordo entre Mercosul e UE e, na Alemanha, negociadores já admitem que existe um risco de que o entendimento seja adiado para 2019. 

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Em dezembro, os dois blocos estiveram próximos de um acordo, depois de 18 anos de negociações. Mas, segundo o Mercosul, Bruxelas não ofereceu uma abertura suficiente no setor de carnes e etanol e o impasse não conseguiu ser superado. O bloco sul-americano chegou a elevar sua proposta para atender aos negociadores europeus. Mas não houve uma reciprocidade.

O entendimento era de que o processo seria retomado em janeiro e que, ao longo do mês, novos encontros técnicos poderiam ocorrer. Mas, em Bruxelas, negociadores admitem que o processo está emperrado. 

O que ninguém previa era que o governo da Alemanha fosse paralisado por uma incapacidade de Angela Merkel em formar um governo depois das eleições. O espaço vazio deixado por Berlim em Bruxelas tem sido ocupado pela França, um dos países mais hesitantes em fechar um acordo comercial com o Mercosul. Se existe setores como o de vinhos que querem maior abertura ao mercado sul-americano, outros como o de açúcar rejeitam qualquer oferta.

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Se não bastasse, a presidência temporária do bloco foi para a Bulgária, governo pouco interessado em um acordo comercial com o Mercosul que represente a entrada de novos produtos agrícolas para concorrer com os seus nos grandes mercados europeus.  

Nos bastidores, um dos negociadores mais experientes da Europa, Jean-Luc Demarty, irá se aposentar, o que também deixa um vácuo no processo nos próximos meses. Mas, do lado do Mercosul, negociadores insistem que não terão nada de novo a apresentar enquanto a proposta dos europeus no setor agrícola não for revista. Por enquanto, porém, a oferta europeia é de uma cota de 70 mil toneladas de carnes para o Mercosul, algo considerado como insuficiente. 

O bloco sul-americano, porém, também tem seus prazos políticos. Brasil e Paraguai passam por eleições e negociadores europeus temem que, depois de abril, ambos os governos estejam concentrados em sua política doméstica, com pouco espaço para fazer manobras que possam deixar insatisfeitos certos interesses econômicos. 

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Nesta semana, o secretário de Economia da Alemanha, Matthias Machnig, alertou que se um entendimento não for obtido até o final de janeiro, todo o processo pode ser congelado e restabelecido apenas em 2019. 

Mas, nos bastidores, a diplomacia sul-americana também tenta alertar que não aceitaria que os europeus coloquem a culpa no Mercosul por um evento fracasso na negociação. Para o Brasil, por exemplo, existem todas as condições para que o acordo possa ser concluído em 2018. 

Para os europeus, o prazo de 2019 também é relevante. O ano marcará a renovação do Parlamento Europeu e do comando da Comissão Europeia, o que significa que pouco poderá ser feito. 

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