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Incerteza política aquece mercado imobiliário

A menos de dois meses do fim do ano, empresários do mercado imobiliário prevêem aumento no faturamento do setor em relação a 2001. O presidente do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP), Romeu Chap Chap, acredita que o crescimento deva ser de, no mínimo, 10%. "Não há nenhuma euforia, mas o mercado está bom", afirmou. Tradicionalmente, outubro e novembro são meses que concentram grande número de lançamentos e alta nas vendas, mas este ano outros fatores contribuíram para que o movimento se acentuasse. A indefinição quanto às medidas a serem adotadas pelo futuro presidente da República, segundo Chap Chap, serviu de estímulo para o comprador. "O medo de ter, por exemplo, o dinheiro congelado, levou as pessoas a optarem pela compra de um imóvel antes da posse do novo presidente", disse. Uma possível alta na inflação e o conseqüente aumento nos preços dos imóveis entra no mesmo pacote de incertezas que motiva o consumidor. "Até agosto, o cenário era pior do que no ano passado, mas, a partir de setembro, começou a melhorar", afirmou o presidente do Secovi-SP. No início do segundo semestre, o índice de velocidade de vendas, que corresponde à quantidade de imóveis residenciais novos comercializados sobre o total colocado à venda no mês, ficava em torno de 8%. Na primeira quinzena de setembro, passou para 13% e fechou o mês em 10%. Para o diretor de Atendimento da Lopes, Tomás Salles, outubro foi o melhor mês do ano. "Vendemos de 50 a 60 unidades por dia", disse. "Até maio a média era de 30." A imobiliária, que até agora lançou cem residenciais de diversos segmentos na cidade de São Paulo, deve ter mais 20 novos empreendimentos até o fim do ano. "Isso é reflexo da demanda, que está muito aquecida." Só há certa "lentidão", segundo Salles, no segmento de altíssimo padrão, aquele com imóveis acima de R$ 1,5 milhão, que teve muitos lançamentos nos últimos meses. De qualquer modo, o faturamento da empresa deve fechar o ano 40% maior do que no ano passado, quando ficou em R$ 980 milhões. Até dezembro, a Gafisa deve lançar mais 12 empreendimentos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Assim, a construtora vai atingir 500 mil metros quadrados lançados em 2002 ante 350 mil do ano passado. Mas, se a demanda for maior, a empresa está pronta para colocar novos produtos no mercado ainda este ano, segundo seu presidente Ivo Cunha. "Este ano foi marcado pela busca de alternativas de investimento e, tradicionalmente, imóveis são considerados um porto seguro em momentos de instabilidade", diz. Mesmo com o aumento na busca por produtos imobiliários por investidores, Cunha afirma que a média do comprador é mesmo de "gente que precisa do imóvel para morar". ReservaAlgumas unidades de um empreendimento da Inpar, lançado há quase um mês na zona sul de São Paulo, foram reservadas por consumidores que só aguardavam a confirmação do nome do novo presidente. "Eles vieram ao estande, fizeram a reserva da unidade, mas só ´bateram o martelo´ na semana seguinte à eleição", disse o gerente de Incorporação da empresa, Sergio Delgado Pardal. A construtora vai lançar este mês mais cinco empreendimentos, aumentando o número de lançamentos no ano para 14, contra a média da empresa, que ficava entre 10 e 12. Mesmo sem novos prédios para lançar até o fim do ano, a Brascan já comemora o aumento no faturamento em relação ao ano passado, que deve chegar a 25%. "Houve aumento na procura este ano sobretudo por imóveis com preço entre R$ 100 mil e R$ 200 mil", explicou o presidente da empresa, Marcos Levi. Além da alta do dólar, os problemas com os fundos DI e o período eleitoral, ele lembra que as mudanças no plano diretor do município também influenciaram o mercado. Para aproveitar as regras atuais de ocupação, algumas empresas anteciparam lançamentos. "Se 2001 foi bom, este ano está ainda melhor."

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