AFP
AFP

Incerteza política é a marca de Davos 2017

Desdobramentos da eleição de Trump nos EUA e a saída do Reino Unido da UE devem tomar o espaço ocupado desde 2008 pela crise econômica

Rolf Kuntz, enviado especial, de O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2017 | 19h28

A ênfase na incerteza política deve ser uma das marcas da reunião do Fórum Econômico Mundial, a partir desta terça-feira. Durante anos, desde o início da crise global em 2008, a incerteza econômica foi o pano de fundo e um dos temas centrais dos debates, além das grandes questões de longo prazo, como o ambiente, os avanços da medicina, as mudanças tecnológicas e as transformações do sistema produtivo. As consequências políticas e econômicas da eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos, devem ser uma referência frequente, assim como o complicado divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia.  

O financista Anthonio Scaramucci, da equipe de transição do presidente Trump, deve falar nesta terça-feira sobre as perspectivas para os Estados Unidos. Cotado para integrar o time do novo presidente, ele é apontado como uma da pessoas mais qualificadas para discorrer sobre a mudança de orientação na Casa Branca. O secretário de Estado de Obama, John Kerry, veterano frequentador do Fórum, está escalado para tratar, horas mais tarde, das condições atuais da diplomacia. Deve ficar claro o contraste entre a concepção de política internacional vigente no governo americano até hoje e a do novo governo.

 

Na quarta-feira o vice-presidente Joe Biden deve  fazer um pronunciamento especial, numa sessão apresentada pelo presidente e fundador do Fórum, Klaus Schwab. 

Na quinta-feira a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May falará, também numa sessão especial apresentada por Klaus Schwab, sobre as perspectivas da economia britânica a partir do Brexit, a decisão de abandonar o bloco europeu. Apesar das incertezas sobre a negociação das condições de retirada, o Reino Unido ainda poderá desfrutar neste ano de uma sólida expansão econômica de 1,5%, de acordo com as novas projeções do Fundo Monetário Internacional. 

Nesse quadro de incertezas políticas, o pronunciamento do presidente chinês Xi Jinping, na manhã de terça, poderá ser contemplado como um raro sinal de estabilidade num mundo tomado pela incerteza.

Rio. Em entrevista a jornalistas em Davos, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, informou que o acordo com o Rio de Janeiro em relação às dívidas com a União será assinado na segunda-feira, em cerimônia a ser realizada em Brasília. Ainda segundo Meirelles, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, pretende levar os representantes dos demais poderes do Estado para participar do evento de assinatura.

O ministro negou que outros Estados tenham procurado o governo para fazer um acordo nos mesmos moldes do que foi feito com o Rio de Janeiro, que ele classificou como um ajuste "duro", mas disse que, caso outros Estados tenham a mesma necessidade e a mesma disposição, o governo está aberto para conversar.

Meirelles também comentou a projeção divulgada pelo FMI para o PIB do Brasil, de crescimento de 0,2% em 2017. Ele reconheceu que, na média de 2017 contra a média de 2016, a atividade terá expansão pequena, mas defendeu que o importante é que no último trimestre de 2017 ante o último trimestre de 2016, o PIB terá avanço de cerca de 2%. E afirmou que, mesmo na projeção do FMI, essa comparação entre os últimos trimestres vai apresentar um maior crescimento.

O ministro disse que já teve encontros formais com diretores dos bancos Lloyds e UBS, além de conversas informais com outros dirigentes. A sua percepção é de que há um grande interesse pelas reformas econômicas no Brasil, em especial as que buscam elevar a competitividade e a produtividade das empresas brasileiras.

Ele afirmou ainda que a redução do endividamento das empresas e das famílias vai abrir espaço para a reativação da economia e ressaltou que o governo tem trabalhado em medidas microeconômicas para reduzir a burocracia e estimular a atividade. Além disso, reafirmou o compromisso do governo com as reformas estruturais. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.