Incertezas
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Incertezas

Para garantir a credibilidade, o governo Temer precisa apresentar resultados

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

18 Setembro 2016 | 05h00

E se as metas não forem cumpridas? O governo Temer precisa apresentar resultados. Dado o atual déficit de credibilidade, o único jeito de conquistar confiança é garantir sucesso na política econômica de modo a garantir a derrubada do desemprego e a percepção pelo brasileiro de que a renda voltou a crescer.

Para isso, a política econômica do governo Temer deve obter crescimento do PIB de pelo menos 1,6% em 2017 e alguma coisa mais em 2018, derrubar a inflação para a altura dos 5,0% ao ano e reduzir o rombo das contas públicas para R$ 139 bilhões, também em 2017.

São objetivos que enfrentam o vento contra do amplo quadro de incertezas. As finanças públicas do governo federal e dos Estados estão perto da situação de calamidade. As pressões sobre o Tesouro, que já é uma laranja chupada, são enormes. Se o avanço programado do PIB não se confirmar, a arrecadação sofrerá novos baques. E isso, por si só, seria fator de atraso no recolhimento de impostos pelas empresas, porque seu caixa sofreria mais do que já vem sofrendo.

O governo acena com a aceleração do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), que enfrenta obstáculos não desprezíveis, como ficou comentado nesta Coluna, na última quinta-feira.

A crise política não dá sinais de reversão rápida. Não está claro até que ponto o governo Temer poderá contar com suficiente apoio político para aprovação de leis impopulares e reformas ainda mais impopulares, como as da Previdência e a das leis trabalhistas.

A Operação Lava Jato é inesgotável fonte de fatores-surpresa e ameaça pesos-pesados de todo espectro político brasileiro.

Da economia global pouco se pode contar. A recuperação do sistema produtivo é fraca e instável. A baixa produção de renda tende a engrossar o caudal de insatisfação com o processo de globalização e a desestimular programas de cooperação. Em todo o mundo ganham força movimentos protecionistas, como os que vêm sendo defendidos pelo candidato republicano à presidência dos Estados Unidos.

Os grandes bancos centrais, especialmente o Federal Reserve (Estados Unidos), devem começar a retirar moeda de circulação e isso pode produzir debandada de investimentos de países emergentes, entre os quais o Brasil. (Veja o Confira).

Mas nem tudo são adversidades. Não há, como nas crises anteriores, problemas nas contas externas do Brasil. O déficit em conta corrente (entrada e saída de moeda estrangeira exceto fluxo de capitais) tende a ficar zerado ainda no primeiro trimestre de 2017. E há o super para-choque de US$ 370 bilhões em reservas externas. O sistema bancário interno está saudável. Apesar dos contratempos climáticos, o agronegócio esbanja vitalidade. E a enorme capacidade ociosa da indústria, superior a 20%, é fator que favorece a retomada do crescimento sem necessidade de novos investimentos.

Esses fatores positivos não são pouca coisa e podem suplantar o jogo contra. Mas, por enquanto, não há certeza disso. Ou seja, essa é outra incerteza.

CONFIRA:

Suspense

Nesta semana, o mercado financeiro global ficará em suspense até esta quarta-feira. O Comitê de Política Monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) se reunirá nas próximos dias 20 e 21 para definir para onde vai a política de juros nos Estados Unidos.

 

Em busca de qualidade

Não está clara a direção, porque os governadores do Fed vêm fazendo pronunciamentos contraditórios. Para que haja grandes transferências de recursos nos mercados, para posições mais conservadoras, nem precisaria que a alta fosse anunciada nesta semana. Bastaria que os comunicados indicassem esse movimento nas próximas reuniões.

 

Impacto por aqui

Do ponto de vista do Brasil, além de aumentar o custo de captação de recursos em moeda estrangeira, uma alta dos juros nos Estados Unidos tende a produzir por aqui certa alta do dólar (desvalorização do real), nova queda dos preços das commodities e alguma queda das cotações da Bolsa.

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