Incertezas afetam a confiança do consumidor

As pesquisas de confiança do consumidor divulgadas entre o final da semana passada e ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio) mostram que as famílias estão menos otimistas ou, na melhor das hipóteses, com o mesmo estado de espírito em relação ao consumo. Os resultados espelham o grau de incertezas refletido no noticiário econômico - mais déficit fiscal e comercial, pressão sobre o câmbio, juros em elevação e, em especial, notícias menos animadoras sobre o que mais interessa: oferta de vagas, aumento da renda real e inflação.

O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2013 | 02h08

Segundo a CNI, a expectativa do consumidor chegou ao menor nível desde junho de 2009, no auge da crise econômica. Em 2009, o Produto Interno Bruto (PIB) diminuiu 0,3%, enquanto a renda real por habitante caía 1,3%.

Entre os segundos trimestres de 2012 e 2013, a FGV constatou que o Índice de Confiança do Comércio foi 3% negativo - e o único aspecto favorável é que ele vinha de uma queda de 3,6%, mais intensa, portanto, no levantamento anterior.

Em junho, segundo a Fecomércio-SP, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) paulistano caiu, pelo quarto mês consecutivo, devido à piora das expectativas, em especial, das famílias de baixa renda.

De fato, uma das informações do ICC contém um elemento positivo: a queda de 0,6%, entre maio e junho, equivale a apenas um ponto. Ou seja, o índice de confiança declinou de 146 pontos para 145 pontos e, sempre que registra mais de 100 pontos, está no campo positivo.

Isto é, não está à vista nenhum desastre no mercado de consumo, apenas se constata a atitude de maior cautela do consumidor, algo perfeitamente previsível.

O economista Aloisio Campelo, da FGV, identificou mais disposição de compra de bens essenciais, como alimentação, desde junho. E atribuiu o fato à acomodação de preços de commodities, como de fato ocorreu nas cotações no atacado do óleo de soja, café e açúcar refinado.

Mas, com a entrada do inverno, é provável que os preços das hortaliças continuem altos. A queda da temperatura estimula o consumo de alimentos. As manifestações de massa - se prosseguirem - podem induzir ao reforço da despensa, pelo temor de não achar os produtos.

As pesquisas confirmam os temores - e a improbabilidade de uma forte retomada do consumo.

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