Incertezas dificultam escolha de aplicações

Cenário conturbado mostra que não há fórmula para garantir aumento de patrimônio

LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2013 | 02h13

O comportamento recente do mercado mostra que está difícil traçar uma estratégia de investimento no Brasil. A sofisticação das aplicações está sendo forçada por causa das incertezas da política econômica brasileira - o crescimento ainda é anêmico, a inflação está no teto da meta e os gastos do governo crescem. Pesa ainda a expectativa de menor liquidez no mercado com os sinais de recuperação dos Estados Unidos.

Essa desconfiança com o Brasil tem causado um vaivém nos preços dos ativos tanto na renda fixa como na renda variável. A Bolsa, por exemplo, acumula queda de quase 20% em 2013, enquanto a taxa básica de juros subiu mais do que o esperado pelos analistas na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Para o mercado, os juros podem chegar a 9% no fim do ano, mas economistas mais ortodoxos acreditam que a taxa pode chegar ao duplo dígito se o BC estiver disposto a trazer a inflação para o centro da meta, que é de 4,5%.

O cenário conturbado mostra que não há mais uma fórmula mágica para garantir um aumento do patrimônio nem um investimento específico, como na época do juro alto e das aplicações atreladas à Selic. Pelo contrário. Na avaliação dos gestores ouvidos pelo Estado, os brasileiros precisam - mais do que nunca - diversificar o portfólio e mirar o planejamento de longo prazo. É justamente esse mix de classes de ativos que vai garantir um ganho em momentos de turbulência.

"Nesse cenário mais complexo só resta uma alternativa ao investidor, que é a diversificação. O grande benefício dessa atitude é única e exlusivamente não colocar todos os ovos numa cesta só", afirmou Paulo Bittencourt, diretor técnico da Apogeo. "No portfólio do investidor brasileiro, o aporte em ação ainda é muito menor do que do investidor dos Estados Unidos, por exemplo", disse Ernesto Leme, sócio responsável pela área de Gestão de Patrimônio da Claritas Investimentos.

As possibilidades de investimentos citadas pelos analistas incluem basicamente bolsa, aplicações ligadas a inflação, fundos multimercados, imobiliários e DI. Na semana passada, por exemplo, entrou no radar dos analistas os papéis do Tesouro NTN-B com vencimento em 2050. O retorno tem como base a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais um ganho próximo de 6% ao ano. "Os papéis protegidos da inflação parecem ser uma boa oportunidade no longo prazo", afirmou Walter Maciel Neto, sócio executivo da Quest Investimentos.

Para os mais arrojados, a diversificação pode estar até num fundo cambial - na quarta-feira, o dólar chegou a romper a barreira dos R$ 2,15, o maior valor em quatro anos. A alta da moeda já obrigou o governo a rever a cobrança do Imposto sobre Operação Financeira (IOF) para estrangeiros na renda fixa e em derivativos. O dólar acumula alta de 4,84% no ano.

"É possível ter um fundo cambial mais como um proteção de um eventual estresse no mercado do que para uma grande operação", afirmou Beto Domenici, diretor de Multi-Assets e Portfólios da Rio Bravo.

O momento também deve ser um incentivo para o investidor se informar e reconhecer quais são os objetivos e o real apetite por risco. "O mercado está mais volátil, então o erro de um investidor não informado pode ser muito mais danoso", disse Clemens Nunes, professor da Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (EESP-FGV). / COM RAÍSSA EBRAHIM E SÍLVIA VOLPINI, ESPECIAL PARA O ESTADO

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