Incertezas geram aumento da liquidez bancária

Numa fase em que o crescimento econômico é baixo, o varejo encontra-se estagnado e há pouca disposição de tomar empréstimos a custos de mercado não só para consumir, mas até para investir, é natural que os grandes bancos privados tenham dinheiro sobrando em caixa - ou seja, excesso de liquidez. Do ponto de vista da solvência financeira do setor, é ótimo que haja recursos fartos nas instituições, pois os riscos são menores. Mas, do ponto de vista da economia, não é bom sinal, pois reforça o temor de que o ritmo da atividade continuará baixo.

O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2013 | 02h07

Recursos fluem para os bancos provenientes de pessoas físicas que aumentam suas reservas financeiras e de empresas que preferem manter o caixa elevado para aproveitar oportunidades. No primeiro semestre, a captação líquida dos fundos de investimento superou R$ 100 bilhões, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O crescimento do "funding" (oferta de recursos) é "maior que o do crédito", disse ao jornal Valor um executivo financeiro.

Os recursos aplicados deveriam se destinar a empréstimos. Ocorre que não apenas clientes com a vida financeira em equilíbrio hesitam em tomar crédito, mas os próprios bancos agem com cautela excessiva. A elevação do juro básico - e, em consequência, dos juros das aplicações -, nas últimas reuniões do Copom, estimula os depósitos, pelo menos até que a atividade afrouxe e haja menos recursos para aplicar.

Os bancos já alteram os critérios de captação. Evitam colocar Certificados de Depósito Bancário (CDBs), cujos saldos declinam, dando preferência a papéis de prazo mais longo, como Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras de Crédito Agrícola (LCAs), isentas de Imposto de Renda para pessoas físicas. No passado, as instituições chegaram a restringir os depósitos em cadernetas de poupança.

Tende a se acentuar o contraste entre os bancos privados e os bancos públicos, se estes continuarem aumentando mais rapidamente os empréstimos. Mas há o risco de que tal política seja penalizada, no futuro, com a inadimplência. O BNDES noticiou um forte aumento de 67% dos empréstimos, até maio, comparado ao mesmo período de 2012.

No melhor cenário, o excesso de liquidez permitirá que bancos reduzam o custo do crédito, mesmo numa fase de alta da taxa Selic, pois há gordura suficiente para a queda dos juros cobrados dos clientes.

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