Marcio Fernandes/Estadão
Marcio Fernandes/Estadão

Incertezas no mercado devolvem atratividade de CDBs para investidor

Aposta em retomada na alta dos juros faz com que ‘super CDB’ retorne à prateleira dos bancos de médio porte

Gabriel Roca, O Estado de S. Paulo

09 Julho 2018 | 05h00

Queridinho dos investidores em épocas de taxa Selic em dois dígitos, a renda fixa que oferece 1% de rentabilidade ao mês retorna ao portfólio do mercado. Mesmo no cenário atual, de juros achatados, os Certificados de Depósito Bancários (CDBs) prefixados, que oferecem retornos elevados, têm surgido como alternativa aos títulos públicos e produtos semelhantes de grandes bancos e de corretoras. Mas, apesar da previsibilidade garantida, especialistas alertam para os riscos deste tipo de aplicação.

Há cerca de dois anos, quando a taxa Selic estava no patamar de 14% ao ano, obter o rendimento de 1% ao mês era relativamente simples. Entretanto, com a queda dos juros para 6,5% ao ano, a meta só parecia possível para quem estava disposto a correr grandes riscos com seus investimentos.

O aparecimento dos produtos de renda fixa que oferecem esse patamar de retorno, segundo analistas, tem relação com o momento atual da economia brasileira e mundial. 

Com o cenário externo conturbado, a greve dos caminhoneiros e eleições presidenciais se aproximando no País, o mercado passou a acreditar que as taxas de juros praticadas na economia serão maiores no longo prazo. No jargão do mercado, a curva de juros longa se ‘estressou’. Antes da greve, a taxa de juros futuro (DI futuro) para julho de 2023, negociada na Bolsa, estava em 9,2%. Em junho, esse valor chegou a 11,8% e hoje está em 10,6%.

Com isso, é possível às instituições financeiras desenharem produtos com vencimento maior que carreguem essa elevação nos juros. E, para o investidor que pode alongar o prazo de resgate do seu capital, especialistas acreditam que alguns produtos de renda fixa podem ser uma boa alternativa para diversificar a carteira. 

É o caso do ‘Super CDB’, distribuído pela Genial Investimentos. O produto garante ao investidor que ficar até o vencimento, de cinco anos, uma rentabilidade prefixada de 1% ao mês. O investimento mínimo é de R$ 5 mil e o pagamento dos rendimentos é mensal, e não no vencimento, como na maioria dos produtos semelhantes.

Por conta da alta demanda pelo produto, segundo a Genial, a captação foi encerrada em dez dias úteis. A corretora estuda agora o lançamento de um novo lote de captação. O diretor de produtos de renda fixa da corretora, Marcelo Sande, afirma que o momento é de oportunidade para o investidor que se sentir confortável em ‘travar’ uma taxa de rendimento para os próximos anos.

De acordo com Bernardo Pascowitch, fundador do Yubb, plataforma gratuita de seleção de investimentos online, os CDBs prefixados de um banco grande com vencimento para cinco anos oferecem, em média, um retorno de 0,61% ao mês. Já alguns emitidos por bancos médios podem, neste momento, superar 1% de rentabilidade mensal. De acordo com ele, além do cenário da taxa de juros, o aparecimento desse tipo de produto também é uma estratégia de marketing das corretoras, já que os retornos altos chamam a atenção dos investidores.

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Para o coordenador do Laboratório de Finanças Pessoais do Insper, Michael Viriato, isso é natural – épocas de maior incerteza costumam pagar prêmios de risco maiores. Segundo ele, ao contratar um produto de renda fixa prefixado, o investidor faz ‘uma aposta’. Para quem aplicou o dinheiro, é bom que as taxas de juros caiam ou não subam mais do que o esperado. 

O diretor financeiro do Banco BMG, Clive Botelho, também notou uma maior demanda por produtos de renda fixa, em maio e junho, em especial os prefixados. “Claro que você não deve aplicar todo seu patrimônio em prefixados. Mas, caso um candidato de perfil reformista vença as eleições e as taxas de juros continuem em um nível baixo, ter parte da carteira em produtos como esse pode ser interessante para obter rendimentos acima dos praticados no mercado nos próximos anos”, afirma.

‘Riscos’. De acordo com Bernardo Pascowitch, CDBs prefixados de bancos grandes com vencimento de 5 anos apresentam, em média, rentabilidade de 118% do CDI – taxa que praticamente acompanha a taxa Selic. Já nos bancos médios, esse valor ultrapassa 200% do CDI em alguns casos e, em média, a rentabilidade é de 176%.

Entretanto, por serem emitidos por bancos menores, há um risco maior de crédito, ou seja de a instituição poder não conseguir pagar o dinheiro aplicado pelo investidor. Além disso, a rentabilidade está atrelada ao prazo do investimento. Quanto maior o prazo de resgate, mais rentabilidade o produto pode oferecer. 

Bernardo acredita que um investimento em renda fixa prefixado é para quem queira correr um risco maior na renda fixa ou tenha bom conhecimento das dinâmicas do mercado.

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Segundo Fabio Macedo, gerente comercial da Easynvest, é possível conseguir rentabilidade superior a 1% ao mês na renda fixa. Mas é importante ter alguns cuidados. O primeiro é a organização, para que o investidor não precise do dinheiro antes do prazo de vencimento do produto. Caso isso ocorra, ele corre o risco de não conseguir resgatar o dinheiro ou fazê-lo com uma rentabilidade inferior à contratada.

Além disso, investimentos em CDBs são cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Isso significa que, caso a instituição financeira venha à falência, o investidor pode receber de volta até R$ 250 mil. Por isso, Fabio Macedo aconselha aos investidores que façam os cálculos para que o valor aplicado no prazo de vencimento não ultrapasse o limite do montante garantido pelo FGC.

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