Incertezas para o Brasil no cenário externo

A melhora das contas externas não basta para compensar o enfraquecimento das contas fiscais – e o Brasil corre o risco de dupla piora do cenário externo. É iminente a alta do juro básico nos Estados Unidos, como se depreende de afirmações da dirigente do Fed, Janet Yellen. E é elevada a probabilidade de novo rebaixamento da classificação de risco do País pela Standard & Poor’s, cujos técnicos estiveram no Brasil nos últimos dias. Em setembro, a nota do Brasil já havia sido cortada. Cresce, assim, a pressão para o ajuste da política econômica, além do risco de aumento do custo de captação e redução da oferta de recursos.

O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2015 | 02h55

Poucos duvidam de que o juro básico do Fed terá alguma alta a partir do nível atual (quase zero). A alta, que poderá ser anunciada na reunião do Fed do dia 16, se deve à melhora dos fundamentos econômicos, à redução do nível de desemprego e ao crescimento. O PIB americano do terceiro trimestre cresceu 1,5%, após ter crescido 3,9% no segundo trimestre. O número de vagas abertas em novembro foi de 211 mil e o indicador de outubro foi revisado de 271 mil para 298 mil. Entre outubro de 2009 e outubro de 2015, o desemprego caiu de 10% para 5%.

Se o Fed mantiver o juro no nível atual por muito tempo, “provavelmente acabaríamos sendo forçados a apertar a política monetária abruptamente”, disse Yellen. E alertou: a economia poderia ser lançada à recessão.

Tão ou mais grave é a possibilidade de novo rebaixamento da classificação brasileira pelas agências de rating, pois o Brasil já enfrenta dificuldades para captar recursos. Não se trata de uma ameaça de curtíssimo prazo, pois as reservas cambiais são satisfatórias e o déficit na conta corrente do balanço de pagamentos está diminuindo. Mas há vultosos vencimentos previstos para 2016 – e eles terão de ser pagos ou rolados.

Com a recessão, é improvável o crescimento do ingresso de recursos para a renda variável. E com a piora fiscal, há o risco de os investidores estrangeiros adotarem uma política mais cautelosa em relação à renda fixa do País.

Mesmo que o juro do Fed suba devagar, já será um fator negativo a mais para o Brasil. Em média, os emergentes pagavam 392 pontos (3,92%) acima da taxa paga pelo Tesouro norte-americano. Os títulos que indicam o risco Brasil já eram negociados a 453 pontos há alguns dias. É o custo do desarranjo das finanças do País, com a economia fragilizada.

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