Incertezas podem trazer oscilações para o dólar

Os fatores que definiram a alta do dólar no mês de outubro - questão da Argentina, alta do preço do petróleo e incerteza quanto à desaceleração da economia nos Estados Unidos - ainda não foram afastados do cenário financeiro. No caso da Argentina, o problema fiscal do país e a imobilidade da economia provocada pela paridade do dólar com a moeda argentina persistem e não há indícios de que sejam resolvidos ainda nesse ano. A alta do petróleo também continua, mesmo após o anúncio da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), feito ontem, que elevou a produção diária em 500 mil barris. Nos Estados Unidos, ainda não é possível dimensionar o impacto do desaquecimento da economia norte-americana provocado por uma elevação das taxas de juros no país e isso tem deixado instável o mercado financeiro mundial. Além dos fatores externos, os baixos resultados da balança comercial nos últimos meses e as perspectivas negativas até o final do ano criam mais incertezas no mercado de câmbio. Já existe a expectativa de que a balança termine o ano com déficit, ou seja, com importações maiores que exportações. Isso significa menos dólares no mercado interno e possível pressão de alta sobre a cotação da moeda norte-americana.Érico Capelo, administrador de carteira da Lloyds Asset Management, acreditava que o dólar chegaria ao patamar de R$ 1,90 no final desse ano. Porém, essa expectativa foi traçada antes do movimento de alta registrado em outubro. "Nesse novo cenário, é difícil prever o comportamento do dólar até o final do ano. Por isso, para quem tem dívidas em dólar, é importante ter um investimento que acompanhe as oscilações desse mercado", afirma.Eduardo Castro, diretor de renda fixa da ABN Amro Asset Management, acredita que o dólar deve cair para R$ 1,90 até o final de 2000. Porém, devido ao quadro de incertezas, essa queda será acompanhada de fortes oscilações. "Para quem busca rentabilidade, o fundo cambial pode estar agregando um risco que não será acompanhando por ganhos expressivos", explica.

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